Este vai ser um post curtinho só pra contar uma tirada da Sophia.
Nós 4 no carro ouvindo música. Tocando estava:
Ich liebe diese Tage
Egal, wie scheiße es war
Ich will mich nicht beklagen
Ich liebe diese Tage...
(Tradução: Adoro estes dias, tanto faz se eles foram uma merda, não quero me queixar, amo estes dias....)
De repente a Sophia diz bem alto:
Scheiße!
E eu digo, Sophia!
- Mas mamãe não é minha culpa, o homem que falou! É a música, olha só:
Ich liebe diese Tage
Egal, wie scheiße es war
Ich will mich nicht beklagen
Ich liebe diese Tage...
E ela canta bonitinho todo o refrão.
Então, né....
Minha mãe sempre falava que amor de mãe não se divide, ele se multiplica. E aqui estou eu, escrevendo sobre este amor incondicional que sinto por minhas filhas.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
É mole?
Ontem Helena estava doentinha (de novo). E tive que levá-la ao pediatra (de novo). Como tem acontecido desde que ela entrou para a escolinha, ela teve febre (de novo) e preferi deixá-la em casa pelo resto da semana (idem, idem).
Com isso não tive tempo para arrumar a casa, como costumo fazer quando as meninas estão na escolinha.
Fui buscar a Sophia, voltamos pra casa, ela entra na sala, dá uma boa reparada e me diz:
-Mamãe, que bagunça! Porque você não arrumou a casa hoje? Não gosto de ver meus brinquedos desarrumados.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Queimando a cara da vovó
Quando estávamos no Brasil, Sophia, após alguns dias de integração, começou a não querer mais falar em alemão. No começo ainda me perguntava uma ou outra coisa tipo: como é que fala "verrückt" mamãe? É maluco, Sophia. E assim a coisa ia andando. Ainda brincava consigo mesma em alemão, cantava bastante no idioma de Goethe e tudo mais. Mas acho que passados uns 6 dias já estava só no português mesmo. Tanto que, à noite, quando falava com o pai (nas pouquíssimas vezes que o fez, já que desatava a chorar de saudade cada vez que ouvia a voz do papaizinho querido), já estava me perguntando exatamente o contrário: Wie sagt man "cansada", mamãe? É "müde" Sophia.
Ainda assim, eu usava de vez em quando esta língua para dar bronca (acho que alemão é um idioma ótimo para isso! Uma língua forte, basta umas 3 palavras, em tom bem sério para a criança notar que tem algo errado, já notaram? Olhem só: Sophia, desliga a televisão e vem almocar, meu amor, está na hora! Versus: Sophia: Fernsehen aus. Sofort! Zeit zum Essen!). Ela estranhou um pouco, já que nunca falo em alemão com ela por aqui (não, nem para dar bronca, rsrsrsrs). E toda vez meio que contestava: mamãe, por que você está falando em alemão?
Enfim, acho que vovó não prestou atenção nisso.
Um dia, estavam as duas no parque. Mas precisamente na ATI (Academia da Terceira Idade, ou Melhor Idade, como se tem dito atual- e politicamente correto). Tem isso em outros lugares também, aliás?
Enfim, nestas ATIs não só aqueles na melhor idade fazem ginástica de verdade. Crianças, jovens e adultos também. Usam os diversos aparelhos e, estando-se em Maringá, no verão e com o sol a pino, suam. E quando suam.... sim, vêm os aromas.
Aí, minha mãe, que também fala alemão, disse pra Sophia:
Sophia, lass uns gehen, der Mann stinkt.
E é claro que ela responde em alto e bom som: por que você falou que o homem está fedido, vovó?
![]() |
| Minha mãe, fingindo que não ouviu nada... |
terça-feira, 20 de março de 2012
Venham ver que mosca grande!!
Sophia no Brasil estava em uma fase de descobrir o mundo.
Achei bem legal poder contar pra ela tudo que eu gosto do e no Brasil. Além de contar coisas da minha infância, poder mostrar onde era a casa dos meus avós (ainda que eu fique toda emocionada ao ver a casinha deles, mas não os ver), poder mostrar plantinhas que eu costumava brincar, ou coisas que eu gostava de fazer, quando eu era pequena. Eu me lembro que adorava quando meus pais contavam de "antigamente" e noto que ela já gosta também. Aliás, ela me enche sempre de perguntas, quer saber de tudo.
Enfim. Certo dia estávamos saíndo do prédio para passear e a Sophia, como sempre, foi correndo na frente. Queria ser a primeira a chegar lá embaixo. Naquele dia, porém, ela voltou correndo na minha direção e me disse toda eufórica: mamãe, mamãe, vem ver uma mosca grande! Corre!
Uma mosca grande filha?
Sim, mamãe, enooooooorme, vem ver, vem ver, vem ver!
Uma mosca grande filha?
Sim, mamãe, enooooooorme, vem ver, vem ver, vem ver!
Lá vou eu correndo escada abaixo quando me deparo com uma......
barata, que por sorte já estava morta.
![]() |
| Foto daqui: http://www.musicainfantil.eliotu.com/a_barata.htm |
Claro que comecei a rir, mas, depois parei para pensar que realmente não tinha mesmo de onde ela conhecer uma de verdade. Afinal, não tem baratas por aqui! Expliquei pra ela a diferença entre moscas e baratas e ela queria por que queria ver uma barata viva.
Aí vocês juntam uma filha criativa com uma avó que faz todas as vontades da neta (e que superou o seu medo infinito por baratas) e o resultado é: as duas saíram à noite, de lanterna na mão à procura de baratas pela vizinhança.
Elas andaram, andaram, andaram, mas não acharam. Mas a diversão foi muita, pois ainda que eu repita mil vezes que em Hamburgo não tem baratas, ela tem me chamado frequentemente para pegar a nossa lanterna e procurar uma barata por aí...
Aí vocês juntam uma filha criativa com uma avó que faz todas as vontades da neta (e que superou o seu medo infinito por baratas) e o resultado é: as duas saíram à noite, de lanterna na mão à procura de baratas pela vizinhança.
Elas andaram, andaram, andaram, mas não acharam. Mas a diversão foi muita, pois ainda que eu repita mil vezes que em Hamburgo não tem baratas, ela tem me chamado frequentemente para pegar a nossa lanterna e procurar uma barata por aí...
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
- 100°C em Boston!
Chegamos em Boston com sol e muito calor! O nosso hotel ficava um pouco longe do centro, então decidimos que nosso dia teria que render. Tinhamos 3 objetivos: fazer um passeio com um veículo anfíbio, caminhar a freedom trail e ir até Cambridge para vermos Harvard.
Quando eu era caloura do curso de Letras há muitos e muitos anos tinha como sonho colocar meus pés em Harvard ou Oxford, pelo menos uma vez na vida. Tá certo que naquela época eu ainda achava que poderia mudar o mundo, ou no mínimo comandar alguma revolução de qualquer tipo, mas o sonho, apesar de minha vida estar mais longe do mundo acadêmico do que nunca, ainda continuou. Então Harvard, e algumas lembrancinhas que afinal ninguém é de ferro, fizeram, sim, parte do itinerário.
Começamos com o duck tour. O passeio se inicia pela parte "seca" da cidade, que cobre muitos dos pontos que fizemos depois caminhando, ao longo da Freedom Trail. O motorista, que também faz as vezes de guia, era bem animado e, coincidentemente, falava português pois ele nasceu na Angola.
E depois de uns 40 minutos entramos na água. É bem interessante esta parte. O motorista explica como é que o veículo se prepara para entrar, no rio os botões que ele tem que apertar, as regras de segurança e pronto, lá vamos nós nadando feito patinhos :-)
A Sophia pode até dirigir! E ele deixava a criançada guiar de verdade. E por isso andamos em círculos por alguns minutos :-)
O passeio é bem divertido, mas também bastante caro. Recomendo para crianças, mas na verdade, na verdade, não é algo que precise necessariamente ser feito, já que toda a parte "seca" dá para se fazer andando (mesmo com crianças, já que o trajeto não é tão longo) e a parte "molhada" é bonitinha, mas não é imprescindível. Depois disso almoçamos rapidamente no restaurante do museu da ciência - onde o passeio é iniciado - e fomos começar o passeio a pé. Ele é todo sinalizado, tanto no chão, com uma linha vermelha, quanto com plaquinhas informativas na frente dos monumentos principais.
O passeio a pé demora, obviamente, dependendo do tempo que você passa dentro de cada atração. Tem alguns museus, igrejas e claro que entrando longamente em todos eles dá para passear por até 2 dias. Mas com um calor forte e pouco tempo à disposição nós passeamos por umas 4 horas. Depois disso, a Sophia estava com vontade de brincar. Então fomos para um parquinho que encontramos no meio da cidade. Sophia brincou bastante com água e com os outros brinquedos e a Helena também aproveitou para esticar as perninhas.
Engraçado como sempre nos lembramos desta tarde no parquinho. Neste local ouvimos uma brasileira conversando com o seu filho. Era basicamente uma série de avisos: Fulano não sobe aí, Fulano desce e outras frases semelhantes. Aí, marido, aproveitou para puxar papo enquanto eu fui ao banheiro (estava com uma diarreia horrorosa, devo ter comido peixe estragado em Cape Cod, então tinha que correr com frequência para o banheiro mais próximo, mas enfim, não preciso me alongar neste assunto....). Acho que era tudo o que a brasileira queria! Sabe aquela pessoa que não tem o botãozinho "off"? Que abra a torneirinha de asneira e não fecha mais? A própria.
Começou a me contar de todas as dores que a acometiam, da sua carência de vitamina D, de como toma complemento, de como não podia engravidar, de como depois finalmente conseguiu, de como não faz sol em Boston (o que naquele momento, com uns 32 graus e um céu estupidamente azul era bem difícil de acreditar) e que como fazia menos 100 graus no inverno. Sim, -100. Graus célsius, para não restar dúvidas.
Acho que a minha cara de incrédula não passou despercebida, pois ela logo acrescentou: juro por tudo quanto é mais sagrado. E continuou dizendo como com esta temperatura você congela depois de 5 segundos ao ar livre.
Para não ter que falar sobre os menos 100 graus perguntei sobre a vida dela no Brasil, há quanto tempo não via a família, essas coisas que se perguntam quando a gente mora longe da terrinha. E ai ela já começou a me contar toda empolgada sobre como ela tinha ido ilegal para os Estados Unidos e coisas assim.
Agora fico pensando nesta mulher e fico pensando na sua solidão. Na tristeza de passar 6 anos sem ver os pais, amigos e outros parentes do medo que não deve sentir de uma coisa dar errado e ela ter que deixar a sua casa, da sua necessidade de impressionar uma completa estranha (eu) com coisas como o clima e a (falta de) saúde. Mas também penso na sua vontade de nos ajudar (perguntei qual metrô que deveriamos pegar para ir até Cambridge e ela foi muito prestativa, procurando as linhas no celular e tudo). Engraçado como sentimos uma certa afinidade com alguém só por dividirmos o mesmo passaporte, não é? E engraçado como uns 30 minutos de conversa com alguém nos fazem refletir sobre tanta coisa...
Mas enfim, depois disso fomos finalmente passear pelas ruazinhas de Cambridge e admirar Harvard e o MIT! Bem neste dia estava tendo uma festa enorme para os calouros, então não conseguimos entrar na maioria dos prédios, mas mesmo assim o passeio por lá foi de arrancar suspiros (meus).
Quase comprei uma camiseta pra mim onde se lia: sou mãe de uma caloura de Harvard, mas decidi que minhas filhas de 3 anos e 7 meses poderiam se sentir um pouco pressionadas :-)
Quando eu era caloura do curso de Letras há muitos e muitos anos tinha como sonho colocar meus pés em Harvard ou Oxford, pelo menos uma vez na vida. Tá certo que naquela época eu ainda achava que poderia mudar o mundo, ou no mínimo comandar alguma revolução de qualquer tipo, mas o sonho, apesar de minha vida estar mais longe do mundo acadêmico do que nunca, ainda continuou. Então Harvard, e algumas lembrancinhas que afinal ninguém é de ferro, fizeram, sim, parte do itinerário.
Começamos com o duck tour. O passeio se inicia pela parte "seca" da cidade, que cobre muitos dos pontos que fizemos depois caminhando, ao longo da Freedom Trail. O motorista, que também faz as vezes de guia, era bem animado e, coincidentemente, falava português pois ele nasceu na Angola.
A Sophia pode até dirigir! E ele deixava a criançada guiar de verdade. E por isso andamos em círculos por alguns minutos :-)
O passeio é bem divertido, mas também bastante caro. Recomendo para crianças, mas na verdade, na verdade, não é algo que precise necessariamente ser feito, já que toda a parte "seca" dá para se fazer andando (mesmo com crianças, já que o trajeto não é tão longo) e a parte "molhada" é bonitinha, mas não é imprescindível. Depois disso almoçamos rapidamente no restaurante do museu da ciência - onde o passeio é iniciado - e fomos começar o passeio a pé. Ele é todo sinalizado, tanto no chão, com uma linha vermelha, quanto com plaquinhas informativas na frente dos monumentos principais.
O passeio a pé demora, obviamente, dependendo do tempo que você passa dentro de cada atração. Tem alguns museus, igrejas e claro que entrando longamente em todos eles dá para passear por até 2 dias. Mas com um calor forte e pouco tempo à disposição nós passeamos por umas 4 horas. Depois disso, a Sophia estava com vontade de brincar. Então fomos para um parquinho que encontramos no meio da cidade. Sophia brincou bastante com água e com os outros brinquedos e a Helena também aproveitou para esticar as perninhas.
Engraçado como sempre nos lembramos desta tarde no parquinho. Neste local ouvimos uma brasileira conversando com o seu filho. Era basicamente uma série de avisos: Fulano não sobe aí, Fulano desce e outras frases semelhantes. Aí, marido, aproveitou para puxar papo enquanto eu fui ao banheiro (estava com uma diarreia horrorosa, devo ter comido peixe estragado em Cape Cod, então tinha que correr com frequência para o banheiro mais próximo, mas enfim, não preciso me alongar neste assunto....). Acho que era tudo o que a brasileira queria! Sabe aquela pessoa que não tem o botãozinho "off"? Que abra a torneirinha de asneira e não fecha mais? A própria.
Começou a me contar de todas as dores que a acometiam, da sua carência de vitamina D, de como toma complemento, de como não podia engravidar, de como depois finalmente conseguiu, de como não faz sol em Boston (o que naquele momento, com uns 32 graus e um céu estupidamente azul era bem difícil de acreditar) e que como fazia menos 100 graus no inverno. Sim, -100. Graus célsius, para não restar dúvidas.
Acho que a minha cara de incrédula não passou despercebida, pois ela logo acrescentou: juro por tudo quanto é mais sagrado. E continuou dizendo como com esta temperatura você congela depois de 5 segundos ao ar livre.
Para não ter que falar sobre os menos 100 graus perguntei sobre a vida dela no Brasil, há quanto tempo não via a família, essas coisas que se perguntam quando a gente mora longe da terrinha. E ai ela já começou a me contar toda empolgada sobre como ela tinha ido ilegal para os Estados Unidos e coisas assim.
Agora fico pensando nesta mulher e fico pensando na sua solidão. Na tristeza de passar 6 anos sem ver os pais, amigos e outros parentes do medo que não deve sentir de uma coisa dar errado e ela ter que deixar a sua casa, da sua necessidade de impressionar uma completa estranha (eu) com coisas como o clima e a (falta de) saúde. Mas também penso na sua vontade de nos ajudar (perguntei qual metrô que deveriamos pegar para ir até Cambridge e ela foi muito prestativa, procurando as linhas no celular e tudo). Engraçado como sentimos uma certa afinidade com alguém só por dividirmos o mesmo passaporte, não é? E engraçado como uns 30 minutos de conversa com alguém nos fazem refletir sobre tanta coisa...
Mas enfim, depois disso fomos finalmente passear pelas ruazinhas de Cambridge e admirar Harvard e o MIT! Bem neste dia estava tendo uma festa enorme para os calouros, então não conseguimos entrar na maioria dos prédios, mas mesmo assim o passeio por lá foi de arrancar suspiros (meus).
Quase comprei uma camiseta pra mim onde se lia: sou mãe de uma caloura de Harvard, mas decidi que minhas filhas de 3 anos e 7 meses poderiam se sentir um pouco pressionadas :-)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Tenho algo embaraçoso para contar...
Então, vamos por partes.
Primeiramente queria falar sobre o sistema educacional alemão :-) Pelo menos um pouquinho.
Aqui na Alemanha você não pode simplesmente colocar seu filho no maternal (até 3 anos). Vagas no maternal só são garantidas a mães que trabalham período integral ou que estudem (faculdade, ou curso intensivo de alemão, ou as que recebem ajuda do governo para sobreviver por estarem desempregadas). Se você não se encaixa em nenhuma das categorias não tem direito à escolinha e pronto. Claro que sempre dá para tentar uma escolinha particular, mas obviamente o preço é muito, muito mais salgado. Não que seja baratinho pagar a escolinha, para quem tem uma renda melhorzinha fica caro ainda assim (o preço varia de acordo com a renda do casal e do tempo em que a criança permanecerá na escola. Se alguém se interessar tem uma tabela de preços (com detalhes em alemão) aqui,).
Curiosidade: mas pelo menos o preço baixou. Aliás, acreditam que aqui em Hamburgo um outro partido foi eleito por ter (entre outras coisas, claro) prometido abaixar o preço da escolinha? Eu votei neles :-) E realmente o preço baixou! Não sabia que promessas de campanha são realizáveis! Achei que fosse algo tipo papai noel, coelhinho da Páscoa e Saci Pererê, sabe? Que só existem no imaginário popular..
Uma outra (grande) dificuldade é encontrar uma escolinha. Não basta simplesmente chegar em uma e dizer quero matricular meu filho. Como as vagas são limitadas você tem que concorrer a um lugar. E não tem critérios para aprovação! Tenho uma amiga que mandou 70 currículos até conseguir um lugar para o filho dela! Nós já tivemos mais sorte (ou persistência): eu selecionei umas 5 escolinhas que me interessavam (por recomendação, proximidade ou dicas na internet) e depois de visitar as cinco, fiquei torrando a paciência de 3 (ligando muuuuitas vezes pra lá) para conseguir uma vaga. Consegui vaga nas 3 e depois tive a difícil tarefa de ter que me decidir.
Enfim, depois que você provar que tem um emprego fixo (tem que levar o contrato de trabalho para a secretaria da criança, juntamente com muitos outros documentos como holerite, certidão de nascimento etc, para que seja calculado quanto você vai pagar) e que tem uma vaga na escolinha, você pode ir até a tal da secretaria da criança e solicitar um vale-escolinha. Trata-se de um papel em que está escrito que você levou a documentação necessária, e que a secretaria vai pagar pela escola do seu filho, e qual é o percentual restante a ser pago pelo responsável do aluno. Este vale os pais recebem pelo correio.
E é aqui que começa de fato o assunto deste post. Eu recebi um vale desses (que deve ser levado imediatamente à escolinha) comunicando o feliz fato de que o preço tinha abaixado! Nem acreditei na minha sorte. Pra ser sincera a minha primeira reação foi achar que a secretaria tinha feito algum erro e que eu já deveria deixar de lado o dinheiro economizado momentaneamente para ressarcir os cofres do Estado depois :-). Mas, conversando com outras mães, percebi que não havia erro nenhum e que eu poderia levar tranquilamente meu vale à escola. Porém, nesta altura, a escolinha da Sophia estava em férias e eu guardei o papel para levar depois.
Pois é. Eu "guardei" foi só uma palavra bonita para dizer eu deixei o papel em algum lugar qualquer. Quando a escolinha finalmente reabriu comecei a procurar o bendito do vale. Procurei, procurei, procurei e nada. Minha mãe me ajudou a procurar, procurei na caixa onde deixamos o papel velho (e que deve ser colocado num contâiner especial para a recolha do lixo) e novamente nada. Coloquei a culpa no marido, dizendo que ele deveria ter perdido o papel, ele me ajudou a procurar também, mas nope. Não encontramos o vale.
No auge do meu desespero comecei a procurar meu óculos de sol da Versace e meu ipod, pois sempre que "guardo" estes itens (já que foram caros costumo querer "guardar melhor" e assim nunca os encontro depois), e procuro por eles depois, acabo encontrando um monte de outras coisas desaparecidas (em tempo achei uma calça que andava procurando há séculos!), mas novamente não fui bem sucedida...
Aí me restava a humilhante opção de ir até a secretaria da criança e a)admitir que sou desorganizada dizer que perdi o papel; b) por a culpa na minha filha dizer que minha filha pintou/rasgou/sumiu com o papel e c) chorar em vez de dizer qualquer coisa até o povo da secretaria me dar um novo vale para eu parar de encher o saco.
Nenhuma das alternativas estava me agradando muito, eu confesso. Até que minha mãe veio com uma sugestão maravilhosa: põe a culpa em mim! Brilhante, não?Melhor que assumir minha desorganizaçao. Melhor que por a culpa numa criança (e em mim por tabela), o que quase sempre parece uma desculpa esfarrapada.. E não seria mesmo?
E foi assim que cheguei na tal da secretaria com a seguinte frase nos lábios: tenho algo embaraçoso para contar... Aliás, fica a dica, esta é uma frase ótima quando você quiser que funcionários públicos te escutem. Acho que até o porteiro parou para ouvir o que eu queria dizer!
E continuei: minha mãe não sabe alemão (desculpa, mãe!) e achou que o papel do vale não era importante e fez dele a sua lista de compras. O carinha da senha só deu risada e falou: heheheh, minha mãe também não sabe alemão! Ele me deu a senha e eu já fui toda feliz e contente sentar e esperar as 57 pessoas que estavam na minha frente. Nisso, dou mais uma olhada pro meu papel, olho para o número que estava sendo chamado e... era o meu! Olho confusa para o carinha da senha e ele me diz: vai, vai, é tua vez. E sorri novamente!
Nem acreditei na minha sorte e lá fui eu falar com uma velhinha com cara de rabujenta. Mas como tinha dado certo, comecei:
Tenho algo embaraçoso para contar....
E ela, a velhinha não-rabujenta, sorri e me diz:
Acontece. Não se preocupe. Qual é o nome completo da sua filha?
E me deu um novo vale assim, na boa!
Rá, acho que só vou começar diálogos desta forma daqui pra frente. Obrigada mãe pelas costas largas!
Primeiramente queria falar sobre o sistema educacional alemão :-) Pelo menos um pouquinho.
Aqui na Alemanha você não pode simplesmente colocar seu filho no maternal (até 3 anos). Vagas no maternal só são garantidas a mães que trabalham período integral ou que estudem (faculdade, ou curso intensivo de alemão, ou as que recebem ajuda do governo para sobreviver por estarem desempregadas). Se você não se encaixa em nenhuma das categorias não tem direito à escolinha e pronto. Claro que sempre dá para tentar uma escolinha particular, mas obviamente o preço é muito, muito mais salgado. Não que seja baratinho pagar a escolinha, para quem tem uma renda melhorzinha fica caro ainda assim (o preço varia de acordo com a renda do casal e do tempo em que a criança permanecerá na escola. Se alguém se interessar tem uma tabela de preços (com detalhes em alemão) aqui,).
Curiosidade: mas pelo menos o preço baixou. Aliás, acreditam que aqui em Hamburgo um outro partido foi eleito por ter (entre outras coisas, claro) prometido abaixar o preço da escolinha? Eu votei neles :-) E realmente o preço baixou! Não sabia que promessas de campanha são realizáveis! Achei que fosse algo tipo papai noel, coelhinho da Páscoa e Saci Pererê, sabe? Que só existem no imaginário popular..
Uma outra (grande) dificuldade é encontrar uma escolinha. Não basta simplesmente chegar em uma e dizer quero matricular meu filho. Como as vagas são limitadas você tem que concorrer a um lugar. E não tem critérios para aprovação! Tenho uma amiga que mandou 70 currículos até conseguir um lugar para o filho dela! Nós já tivemos mais sorte (ou persistência): eu selecionei umas 5 escolinhas que me interessavam (por recomendação, proximidade ou dicas na internet) e depois de visitar as cinco, fiquei torrando a paciência de 3 (ligando muuuuitas vezes pra lá) para conseguir uma vaga. Consegui vaga nas 3 e depois tive a difícil tarefa de ter que me decidir.
Enfim, depois que você provar que tem um emprego fixo (tem que levar o contrato de trabalho para a secretaria da criança, juntamente com muitos outros documentos como holerite, certidão de nascimento etc, para que seja calculado quanto você vai pagar) e que tem uma vaga na escolinha, você pode ir até a tal da secretaria da criança e solicitar um vale-escolinha. Trata-se de um papel em que está escrito que você levou a documentação necessária, e que a secretaria vai pagar pela escola do seu filho, e qual é o percentual restante a ser pago pelo responsável do aluno. Este vale os pais recebem pelo correio.
E é aqui que começa de fato o assunto deste post. Eu recebi um vale desses (que deve ser levado imediatamente à escolinha) comunicando o feliz fato de que o preço tinha abaixado! Nem acreditei na minha sorte. Pra ser sincera a minha primeira reação foi achar que a secretaria tinha feito algum erro e que eu já deveria deixar de lado o dinheiro economizado momentaneamente para ressarcir os cofres do Estado depois :-). Mas, conversando com outras mães, percebi que não havia erro nenhum e que eu poderia levar tranquilamente meu vale à escola. Porém, nesta altura, a escolinha da Sophia estava em férias e eu guardei o papel para levar depois.
Pois é. Eu "guardei" foi só uma palavra bonita para dizer eu deixei o papel em algum lugar qualquer. Quando a escolinha finalmente reabriu comecei a procurar o bendito do vale. Procurei, procurei, procurei e nada. Minha mãe me ajudou a procurar, procurei na caixa onde deixamos o papel velho (e que deve ser colocado num contâiner especial para a recolha do lixo) e novamente nada. Coloquei a culpa no marido, dizendo que ele deveria ter perdido o papel, ele me ajudou a procurar também, mas nope. Não encontramos o vale.
No auge do meu desespero comecei a procurar meu óculos de sol da Versace e meu ipod, pois sempre que "guardo" estes itens (já que foram caros costumo querer "guardar melhor" e assim nunca os encontro depois), e procuro por eles depois, acabo encontrando um monte de outras coisas desaparecidas (em tempo achei uma calça que andava procurando há séculos!), mas novamente não fui bem sucedida...
Aí me restava a humilhante opção de ir até a secretaria da criança e a)
Nenhuma das alternativas estava me agradando muito, eu confesso. Até que minha mãe veio com uma sugestão maravilhosa: põe a culpa em mim! Brilhante, não?
E foi assim que cheguei na tal da secretaria com a seguinte frase nos lábios: tenho algo embaraçoso para contar... Aliás, fica a dica, esta é uma frase ótima quando você quiser que funcionários públicos te escutem. Acho que até o porteiro parou para ouvir o que eu queria dizer!
E continuei: minha mãe não sabe alemão (desculpa, mãe!) e achou que o papel do vale não era importante e fez dele a sua lista de compras. O carinha da senha só deu risada e falou: heheheh, minha mãe também não sabe alemão! Ele me deu a senha e eu já fui toda feliz e contente sentar e esperar as 57 pessoas que estavam na minha frente. Nisso, dou mais uma olhada pro meu papel, olho para o número que estava sendo chamado e... era o meu! Olho confusa para o carinha da senha e ele me diz: vai, vai, é tua vez. E sorri novamente!
Nem acreditei na minha sorte e lá fui eu falar com uma velhinha com cara de rabujenta. Mas como tinha dado certo, comecei:
Tenho algo embaraçoso para contar....
E ela, a velhinha não-rabujenta, sorri e me diz:
Acontece. Não se preocupe. Qual é o nome completo da sua filha?
E me deu um novo vale assim, na boa!
Rá, acho que só vou começar diálogos desta forma daqui pra frente. Obrigada mãe pelas costas largas!
domingo, 24 de julho de 2011
Mamãe, eu quero salitatá!!!!!!!!
Tá.
Você está no carro, dirigindo, seus pais, sua filha mais velha e sua filha caçula também estão com você, tudo em perfeita harmonia. Que venham os 500 quilômetros que nos separam da casa da sogra.
O trânsito não está ruim, as musiquinhas no rádio até que estão simpáticas, todos de barriga cheia e sem vontade de ir ao banheiro, pois se tem coisa que irrita qualquer motorista é fome ou vontade de fazer xixi. Ou trânsito. Ou posto longe quando a gasolina está quase acabando. Ou caminhões ultrapassando outros caminhões e ocupando a pista da esquerda. Ou fumaça de caminhão. Ou sinais vermelhos. Ou obras na pista. Ou...
Mas, enfim, não vamos fugir do tema, afinal tudo estava bem e em perfeita harmonia.
Porém, de repente, não mais do que de repente, vem o pedido:
- Mamãe, eu quelo salitatá.
- Quer o quê?
- Salitatá, mamãe.
- Sair o quê, Sophia?
- Ma-mãe, eu que-lo sa-li-ta-tá!
- Filha, mas eu não sei o que é isso.
- (já bem irritada) salitatá, agola!!
- Você quer a Sari (uma amiguinha da escolinha)?
- Não, mamãe, plesta atenção, eu quelo salitatá!!!!!
- (eu com cara de ponto de interrogação, pensando se ela tá me falando algo exótico em alemão, já que de vez em quando ela faz umas combinações linguísticas pra lá de interessantes...) filha, mas salitatá é como o papai fala, como é que a mamãe fala isso?
- Você que fala salitatá, não o papai!
- (eu continuo perdidinha, meus pais se olham, oferecem sugestões do tipo: será que ela quer bolacha? sentar?) Sophia, a mamãe não sabe mesmo o que você quer....
- Mamãe, eu quelo ouvir salitatá.
- (De repente, a ficha caiu!) ah: você quer ouvir siriri pra cá?
- Sim, mamãe. Agola!
E com vocês a famosa canção Salitatá:
A canoa virou
Por deixá-la virar
Foi por causa da Sandra
Que não soube remar
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar
Tirava a Sandra
Do fundo do mar
Siriri pra cá, siriri pra lá
A Sandra é feia e quer casar...
Você está no carro, dirigindo, seus pais, sua filha mais velha e sua filha caçula também estão com você, tudo em perfeita harmonia. Que venham os 500 quilômetros que nos separam da casa da sogra.
O trânsito não está ruim, as musiquinhas no rádio até que estão simpáticas, todos de barriga cheia e sem vontade de ir ao banheiro, pois se tem coisa que irrita qualquer motorista é fome ou vontade de fazer xixi. Ou trânsito. Ou posto longe quando a gasolina está quase acabando. Ou caminhões ultrapassando outros caminhões e ocupando a pista da esquerda. Ou fumaça de caminhão. Ou sinais vermelhos. Ou obras na pista. Ou...
Mas, enfim, não vamos fugir do tema, afinal tudo estava bem e em perfeita harmonia.
Porém, de repente, não mais do que de repente, vem o pedido:
- Mamãe, eu quelo salitatá.
- Quer o quê?
- Salitatá, mamãe.
- Sair o quê, Sophia?
- Ma-mãe, eu que-lo sa-li-ta-tá!
- Filha, mas eu não sei o que é isso.
- (já bem irritada) salitatá, agola!!
- Você quer a Sari (uma amiguinha da escolinha)?
- Não, mamãe, plesta atenção, eu quelo salitatá!!!!!
- (eu com cara de ponto de interrogação, pensando se ela tá me falando algo exótico em alemão, já que de vez em quando ela faz umas combinações linguísticas pra lá de interessantes...) filha, mas salitatá é como o papai fala, como é que a mamãe fala isso?
- Você que fala salitatá, não o papai!
- (eu continuo perdidinha, meus pais se olham, oferecem sugestões do tipo: será que ela quer bolacha? sentar?) Sophia, a mamãe não sabe mesmo o que você quer....
- Mamãe, eu quelo ouvir salitatá.
- (De repente, a ficha caiu!) ah: você quer ouvir siriri pra cá?
- Sim, mamãe. Agola!
E com vocês a famosa canção Salitatá:
A canoa virou
Por deixá-la virar
Foi por causa da Sandra
Que não soube remar
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar
Tirava a Sandra
Do fundo do mar
Siriri pra cá, siriri pra lá
A Sandra é feia e quer casar...
terça-feira, 7 de junho de 2011
Areia voando
Quinta-feira foi feriado aqui na Alemanha e nós aproveitamos para viajar um pouquinho. Fomos com amigos queridos para o leste da Alemanha, para uma região chamada de Mecklenburgische Seenplatte. É um lugar com muitos lagos e uma reserva ambiental. Tivemos sorte que o tempo também colaborou e tivemos 4 dias de muito sol, calor e diversão :-)
Minhas duas princesinhas adoraram a viagem. A Sophia brincou muito na água (muito gelada), com areia, com outras crianças e com rejunte. Sim, rejunte.
Uma das grandes diversões foi brincar de tirar o rejunte do piso do terraço do restaurante. Ela ficou longos momentos ocupada com isso e ainda "ensinou" outras crianças a fazer o mesmo.
Engraçado foi que como a Sophia já tinha a companhia de dois amiguinhos ela não quis dar muita bola pra outras crianças que cruzaram em seu caminho. A única exceção foi com um menino bem maior que ela.
Ele estava nadando no lago, às margens do qual ficávamos todas as manhãs. Ele devia ter uns 8 anos e a Sophia já chegou conversando com ele:
- Oi menino.
(nenhuma resposta).
- Você está sozinho aqui?
(nenhuma resposta)
- Você está sozinho aqui?
(nenhuma resposta)
- Cadê sua mãe?
(nada ainda)
- Menino, você está sozinho?
(nada de resposta, Sophia cada vez mais irritada)
- Menino, responde!
(ele realmente não estava a fim de papo)
- Menino, responde senão eu jogo areia em você!
(nada)
- Meninooooooooooooooo!
- Vupt! (onomatopéia para areia voando.....)
(o menino sai da água)
- Que menino bobo, né mamãe?
(faço cara de paisagem....)
Pois é minha gente, não ousem não responder uma pergunta de Sophia :-) Nunca se sabe as consequências, hehehehe!
Helena adorou passear ao ar livre. Ficava olhando todas as árvores e dava vários gritinhos de pura alegria, uma fofa! E ela está muito espertinha: aprendeu a gargalhar, pega tudo ao alcance das suas mãozinhas e leva à boca, tenta virar, um amorzinho!
Foi tão bom ter viajado, ainda mais com a companhia da vovó, que já estamos com gostinho de quero mais!
Minhas duas princesinhas adoraram a viagem. A Sophia brincou muito na água (muito gelada), com areia, com outras crianças e com rejunte. Sim, rejunte.
Uma das grandes diversões foi brincar de tirar o rejunte do piso do terraço do restaurante. Ela ficou longos momentos ocupada com isso e ainda "ensinou" outras crianças a fazer o mesmo.
Engraçado foi que como a Sophia já tinha a companhia de dois amiguinhos ela não quis dar muita bola pra outras crianças que cruzaram em seu caminho. A única exceção foi com um menino bem maior que ela.
Ele estava nadando no lago, às margens do qual ficávamos todas as manhãs. Ele devia ter uns 8 anos e a Sophia já chegou conversando com ele:
- Oi menino.
(nenhuma resposta).
- Você está sozinho aqui?
(nenhuma resposta)
- Você está sozinho aqui?
(nenhuma resposta)
- Cadê sua mãe?
(nada ainda)
- Menino, você está sozinho?
(nada de resposta, Sophia cada vez mais irritada)
- Menino, responde!
(ele realmente não estava a fim de papo)
- Menino, responde senão eu jogo areia em você!
(nada)
- Meninooooooooooooooo!
- Vupt! (onomatopéia para areia voando.....)
(o menino sai da água)
- Que menino bobo, né mamãe?
(faço cara de paisagem....)
Pois é minha gente, não ousem não responder uma pergunta de Sophia :-) Nunca se sabe as consequências, hehehehe!
Helena adorou passear ao ar livre. Ficava olhando todas as árvores e dava vários gritinhos de pura alegria, uma fofa! E ela está muito espertinha: aprendeu a gargalhar, pega tudo ao alcance das suas mãozinhas e leva à boca, tenta virar, um amorzinho!
Foi tão bom ter viajado, ainda mais com a companhia da vovó, que já estamos com gostinho de quero mais!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Diálogos matinais
Há uma semana contei para a Sophia que a vovó estava prestes a nos visitar. Como, nesta idade, noções de tempo ainda são um pouco complicadas, preferi esperar até estarmos mais próxias do grande dia (que é hoje!!!). Assim, ela ainda tem o gostinho bom da espera (e pode ficar marcando os "xis" no calendário), mas não é algo que nunca chega.
E assim foi. Desde então, todo dia de manhã a Sophia pergunta: mamãe é hoje que minha vovó chega? E eu sempre ia fazendo a contagem regressiva para ela. Mas a coisa começou tomour ares de pastelão italiano no final de semana:
(Sábado)
- Mamãe, é hoje que minha vovó chega?
- Não, filha, ela chega depois de amanhã. Você ainda precisa dormir mais duas noites.
(Domingo)
- Mamãe, é hoje que minha vovó chega?
- Não filha é só amanhã. Ainda falta mais uma noite.
- Mas hoje não é amanhã?
- Não, Sophia. Hoje é hoje, amanhã é amanhã.
- Mas você falou ontem que a vovó chegava depois de amanhã!
- Então, amanhã ela chega.
- Mas hoje é amanhã e amanhã é depois de amanhã.
- ............................... suspiro.......................
(Hoje)
- Bom dia, Sophia!
- Minha vovó chega hoje!
- Sim, filha, ela chega hoje!
- Cadê ela, mamãe?
- Ela ainda está no avião. Você tem que primeiro tomar café, ir pra escolinha e depois nós vamos ao aeroporto buscar a vovó.
- Mas mamãe, eu quero ir agora.
- Mas ela ainda não está lá, Sophia.
- Mas você disse que ela vinha hoje!
- Ela vem, meu amor.
- Então vamos lá buscar a vovó, mamãe!
- Ela está quase chegando, filha, só mais um pouco de paciência.
- Mas hoje é depois de amanhã, né?
- (resolvi não explicar mais): sim, é hoje que ela chega.
Depois de muitas frases parecidas, ela se convence e vai pra escolinha. Mas não sem antes me soltar um:
- E quando é que o vovô chega?
Já estou prevendo a novela até julho, quando o vovô chega :-)
E assim foi. Desde então, todo dia de manhã a Sophia pergunta: mamãe é hoje que minha vovó chega? E eu sempre ia fazendo a contagem regressiva para ela. Mas a coisa começou tomour ares de pastelão italiano no final de semana:
(Sábado)
- Mamãe, é hoje que minha vovó chega?
- Não, filha, ela chega depois de amanhã. Você ainda precisa dormir mais duas noites.
(Domingo)
- Mamãe, é hoje que minha vovó chega?
- Não filha é só amanhã. Ainda falta mais uma noite.
- Mas hoje não é amanhã?
- Não, Sophia. Hoje é hoje, amanhã é amanhã.
- Mas você falou ontem que a vovó chegava depois de amanhã!
- Então, amanhã ela chega.
- Mas hoje é amanhã e amanhã é depois de amanhã.
- ............................... suspiro.......................
(Hoje)
- Bom dia, Sophia!
- Minha vovó chega hoje!
- Sim, filha, ela chega hoje!
- Cadê ela, mamãe?
- Ela ainda está no avião. Você tem que primeiro tomar café, ir pra escolinha e depois nós vamos ao aeroporto buscar a vovó.
- Mas mamãe, eu quero ir agora.
- Mas ela ainda não está lá, Sophia.
- Mas você disse que ela vinha hoje!
- Ela vem, meu amor.
- Então vamos lá buscar a vovó, mamãe!
- Ela está quase chegando, filha, só mais um pouco de paciência.
- Mas hoje é depois de amanhã, né?
- (resolvi não explicar mais): sim, é hoje que ela chega.
Depois de muitas frases parecidas, ela se convence e vai pra escolinha. Mas não sem antes me soltar um:
- E quando é que o vovô chega?
Já estou prevendo a novela até julho, quando o vovô chega :-)
domingo, 15 de maio de 2011
O desaparecimento
Confesso que na sexta-feira, quando fui buscar a Sophia na escolinha, tive que me conter muito para não cair na gargalhada. Só sei que lá estava minha baixinha sem meias, só de sapatos. Nisso vem a professora e me diz super séria: a Sophia e eu temos algo para contar. Eu já pensei em algo terrível: ela bateu em algum amiguinho, fez xixi na calça, chamou a professora de cocô, jogou de novo os sapatos dos amigos na privada, ou algo dramático do gênero. Mas não.
Para minha surpresa (ufa!), ela começou a me contar que a Sophia e sua amiga Adriana tiveram uma bela ideia: elas resolveram que era dia de andarem descalças. As duas tiraram os sapatos e as meias e esconderam tudo atrás de uma árvore. As professoras passaram uma boa meia hora até conseguirem encontrar os sapatos, enquanto a Adriana e a Sophia gargalhavam sem parar, também escondidas, dentro de uma árvore oca, no jardim da escolinha. Após este tempo, as duas foram calçadas novamente, levaram bronca e voltaram a brincar.
Meia hora depois lá estavam as duas brincando com as meias novamente, desta vez usando as meias como se fossem baldinhos, enchiam as meias com as suas pazinhas, todas felizes e satisfeitas. E daí, o grande mistério. Enquanto a professora caminhava até a Sophia para mandá-la colocar as meias novamente, elas desapareceram! Foram abduzidas! As professoras reviraram a caixa de areia, procuraram na árvore oca, atrás dos arbustos, dentro da caixa de brinquedos de areia e nada. As meias parecem ter mesmo tomado chá de sumiço.
Então, se alguma meia amarela estiver andando por aí, e você não for querer usá-la como balde, pode mandar para cá pois ela é da Sophia :-)
Para minha surpresa (ufa!), ela começou a me contar que a Sophia e sua amiga Adriana tiveram uma bela ideia: elas resolveram que era dia de andarem descalças. As duas tiraram os sapatos e as meias e esconderam tudo atrás de uma árvore. As professoras passaram uma boa meia hora até conseguirem encontrar os sapatos, enquanto a Adriana e a Sophia gargalhavam sem parar, também escondidas, dentro de uma árvore oca, no jardim da escolinha. Após este tempo, as duas foram calçadas novamente, levaram bronca e voltaram a brincar.
Meia hora depois lá estavam as duas brincando com as meias novamente, desta vez usando as meias como se fossem baldinhos, enchiam as meias com as suas pazinhas, todas felizes e satisfeitas. E daí, o grande mistério. Enquanto a professora caminhava até a Sophia para mandá-la colocar as meias novamente, elas desapareceram! Foram abduzidas! As professoras reviraram a caixa de areia, procuraram na árvore oca, atrás dos arbustos, dentro da caixa de brinquedos de areia e nada. As meias parecem ter mesmo tomado chá de sumiço.
Então, se alguma meia amarela estiver andando por aí, e você não for querer usá-la como balde, pode mandar para cá pois ela é da Sophia :-)
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Boneca de vodu
Esta foi mais uma noite ruim. Os meus famosos músculos intercostais (ou talvez as costelas, pois ainda não dá para descartar a hipótese de fratura) voltaram a dar sinais muito fortes de vida e não me deixaram dormir de jeito nenhum. Ficava revirando na cama e cada vez que me virava para o lado esquerdo (que deve ser o lado em que grávidas dormem) a dor era excruciante.
Depois até acabei achando uma posição esdrúxula, porém interessante para dormir: sentada, apoiada de bruços na cabeceira da cama, como se eu estivesse contando no pique para depois ir procurar alguém em brincadeira de esconde-esconde, sabem? Só sei que esta posição funcionou e eu consegui dormir umas duas horas assim. Mas até eu encontrar esta solução brilhante tive a nítida impressão de que estava sendo alvo de um ataque.
Eu, com minha imaginação já fértil, agora embebida de sono, estava me sentindo como vítima de ataque de bonecas de vodu: sentindo as agulhadas entrando nas minhas costelas. Era eu querer me mexer e aaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiii, uma agulhada me derruba.! Uma tréguazinha, respiro fundo, tento me levantar e aaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! mais uma agulhada. E assim foi a madrugada toda. Hoje de manhã até acordei animada, pois sabia que tinha fisioterapia e na última vez as dores deram uma boa diminuída, mas hoje, infelizmente, não ajudou muito não.
Enfim, amanhã tenho acupuntura, com agulhas de verdade e não só as do fruto da minha imaginação fértil, e espero que as dores diminuam um pouco :-) E se algum de vocês fez uma bonequinha de vodu minha: eu me rendo, eu me rendo! Vou contar certinho onde enterrei o tesouro secreto, não precisa mais usar as agulhas não :-)
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