quarta-feira, 5 de outubro de 2011

- 100°C em Boston!

Chegamos em Boston com sol e muito calor! O nosso hotel ficava um pouco longe do centro, então decidimos que nosso dia teria que render. Tinhamos 3 objetivos: fazer um passeio com um veículo anfíbio, caminhar a freedom trail e ir até Cambridge para vermos Harvard.
Quando eu era caloura do curso de Letras há muitos e muitos anos tinha como sonho colocar meus pés em Harvard ou Oxford, pelo menos uma vez na vida. Tá certo que naquela época eu ainda achava que poderia mudar o mundo, ou no mínimo comandar alguma revolução de qualquer tipo, mas o sonho, apesar de minha vida estar mais longe do mundo acadêmico do que nunca, ainda continuou. Então Harvard, e algumas lembrancinhas que afinal ninguém é de ferro, fizeram, sim, parte do itinerário.

Começamos com o duck tour. O passeio se inicia pela parte "seca" da cidade, que cobre muitos dos pontos que fizemos depois caminhando, ao longo da Freedom Trail. O motorista, que também faz as vezes de guia, era bem animado e, coincidentemente, falava português pois ele nasceu na Angola.




E depois de uns 40 minutos entramos na água. É bem interessante esta parte. O motorista explica como é que o veículo se prepara para entrar, no rio os botões que ele tem que apertar, as regras de segurança e pronto, lá vamos nós nadando feito patinhos :-)





A Sophia pode até dirigir! E ele deixava a criançada guiar de verdade. E por isso andamos em círculos por alguns minutos :-)


O passeio é bem divertido, mas também bastante caro. Recomendo para crianças, mas na verdade, na verdade, não é algo que precise necessariamente ser feito, já que toda a parte "seca" dá para se fazer andando (mesmo com crianças, já que o trajeto não é tão longo) e a parte "molhada" é bonitinha, mas não é imprescindível. Depois disso almoçamos rapidamente no restaurante do museu da ciência - onde o passeio é iniciado - e fomos começar o passeio a pé. Ele é todo sinalizado, tanto no chão, com uma linha vermelha, quanto com plaquinhas informativas na frente dos monumentos principais.


O passeio a pé demora, obviamente, dependendo do tempo que você passa dentro de cada atração. Tem alguns museus, igrejas e claro que entrando longamente em todos eles dá para passear por até 2 dias. Mas com um calor forte e pouco tempo à disposição nós passeamos por umas 4 horas. Depois disso, a Sophia estava com vontade de brincar. Então fomos para um parquinho que encontramos no meio da cidade. Sophia brincou bastante com água e com os outros brinquedos e a Helena também aproveitou para esticar as perninhas.


Engraçado como sempre nos lembramos desta tarde no parquinho. Neste local ouvimos uma brasileira conversando com o seu filho. Era basicamente uma série de avisos: Fulano não sobe aí, Fulano desce e outras frases semelhantes. Aí, marido, aproveitou para puxar papo enquanto eu fui ao banheiro (estava com uma diarreia horrorosa, devo ter comido peixe estragado em Cape Cod, então tinha que correr com frequência para o banheiro mais próximo, mas enfim, não preciso me alongar neste assunto....). Acho que era tudo o que a brasileira queria! Sabe aquela pessoa que não tem o botãozinho "off"? Que abra a torneirinha de asneira e não fecha mais? A própria.
Começou a me contar de todas as dores que a acometiam, da sua carência de vitamina D, de como toma complemento, de como não podia engravidar, de como depois finalmente conseguiu, de como não faz sol em Boston (o que naquele momento, com uns 32 graus e um céu estupidamente azul era bem difícil de acreditar) e que como fazia menos 100 graus no inverno. Sim, -100. Graus célsius, para não restar dúvidas.
Acho que a minha cara de incrédula não passou despercebida, pois ela logo acrescentou: juro por tudo quanto é mais sagrado. E continuou dizendo como com esta temperatura você  congela depois de 5 segundos ao ar livre.
Para não ter que falar sobre os menos 100 graus perguntei sobre a vida dela no Brasil, há quanto tempo não via a família, essas coisas que se perguntam quando a gente mora longe da terrinha. E ai ela já começou a me contar toda empolgada sobre como ela tinha ido ilegal para os Estados Unidos e coisas assim.

Agora fico pensando nesta mulher e fico pensando na sua solidão. Na tristeza de passar 6 anos sem ver os pais, amigos e outros parentes do medo que não deve sentir de uma coisa dar errado e ela ter que deixar a sua casa, da sua necessidade de impressionar uma completa estranha (eu) com coisas como o clima e a (falta de) saúde. Mas também penso na sua vontade de nos ajudar (perguntei qual metrô que deveriamos pegar para ir até Cambridge e ela foi muito prestativa, procurando as linhas no celular e tudo). Engraçado como sentimos uma certa afinidade com alguém só por dividirmos o mesmo passaporte, não é? E engraçado como uns 30 minutos de conversa com alguém nos fazem refletir sobre tanta coisa...

Mas enfim, depois disso fomos finalmente passear pelas ruazinhas de Cambridge e admirar Harvard e o MIT! Bem neste dia estava tendo uma festa enorme para os calouros, então não conseguimos entrar na maioria dos prédios, mas mesmo assim o passeio por lá foi de arrancar suspiros (meus).
Quase comprei uma camiseta pra mim onde se lia: sou mãe de uma caloura de Harvard, mas decidi que minhas filhas de 3 anos e 7 meses poderiam se sentir um pouco pressionadas :-)


3 comentários:

Lu disse...

Karen
pensei que a pessoa do parquinho ( a mae do fulano) fosse a Gisele Bundchen. Parece que ela tem uma casa em Boston e passa um bom tempo por lá... enfim, gente sem nocao tem em todo lugar.
Bjs

Karen disse...

Hahahaha, não, não era a Gisele Bündchen, era só uma mãe comum mesmo :-)

Rodrigo disse...

as fotos estao um show, e a Heleninha nadando.. quanta saudade, ler as explicacoes e quase viajar junto, continue assim, esta otimo.
ah, neu cp ta doente, por isso estou no do Guinho e me esbofeteando tanto. rs
bjs.