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terça-feira, 18 de junho de 2013

Nó na garganta

Vim aqui, na verdade, para continuar o meu desafio musical, mas tem como escrever sobre música com tanta coisa acontecendo Brasil afora? Eu, sinceramente, não consigo.
A verdade é que mal estou conseguindo me concentrar no trabalho. Fico me policiando para não ver os novos links, as novas fotos e as novas notícias sobre as manifestações que chegaram até mim. Sim, pois hoje houve protesto até mesmo aqui em Hamburgo.

E a cada nova notícia me emociono com a coragem das pessoas, com a vontade de protestar por seus direitos, com o orguho de estar tentando fazer do nosso país um lugar melhor pra todos.

Me lembro dos meus dias em que também acreditava que podia mudar o mundo. Sou da geração cara pintada, que, sem saber muito bem o que estava fazendo, se estava sendo manipulada pela mídia ou não, saiu pelas ruas para pedir impeachment para o presidente Collor. Depois disso, quando entrei na faculdade, entrei para o centro acadêmico, entramos numa disputa para a UNE, perdemos e vimos na pele como a política já influencia os acontecimentos dentro de uma universidade. Até mesmo uma universidade sem tanto prestígio, como a minha.

O que ficou destes dias foi a certeza de que mudanças não ocorrem sem que haja muita luta. Os alemães costumam dizer: "von nichts kommt nichts" (nada surge do nada) e não por acaso o lema que escolhemos lá atrás, para a nossa campanha, foi "Ação e Reação".

Hoje, com estas novas manifestações ocorrendo no país, me alegro por muitas pessoas estarem experimentando este gostinho de mudança pela primeira vez. Este gostinho de tentar traçar os próprios destinos e de estarem tentando mudar o mundo. J

á vi muita gente reclamando do slogan #acordaBrasil, dizendo que os protestos já aconteciam anteriormente, mas ninguém notava ou se importava com eles. Sim, claro que os protestos já aconteciam, mas porque se incomodar com isso? Não é bom e positivo que mais pessoas estejam dispostas a ir para a rua? Não é bom que sejamos mais e não uns poucos incomodados? Não é bom sentir este pipocar de indignação brotando no peito de todos os brasileiros?

E quanto ao foco "reaça" ou não de tanto protesto. Aqui, para mim, é que reside o grande problema. Pois ainda que os protestos tenham começado pelo aumento das passagens, ninguém pode esperar, realmente, que agora as passagens no Brasil inteiro sejam realmente livres. Que todos possam utilizar transporte público gratuitamente. Então, cada um começou a fazer uma interpretação pessoal do que precisa ser melhorado no país: precisamos melhorar a educação, a saúde, a segurança pública, a infraestrutura, precisamos reduzir os gastos públicos, os cargos comissionados, a corrupção, os gastos com a Copa e as Olimpíadas, até acabar em pessoas que estão querendo o impeachment da Dilma.

Acho que o país esperou tanto tempo que temos agora uma infinidade de coisas pelas quais protestar. Tantas que acabamos correndo o risco de acabar não ganhando nada por termos perdido o foco dos nossos protestos.

Espero muito que cheguemos logo a um consenso e consigamos escolher um tema de cada vez para os nossos protestos. Espero que estas briguinhas tolas sobre a direita e a esquerda do movimento não ofusquem a vontade real de um povo de lutar por mudanças para todos. E espero que esta onda de indignação não se cale sem antes ter atingido pelo menos um único alvo que beneficiará a todos nós.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Brinco? Nem pensar! ou Educando filhos brasileiros na Alemanha

É engraçado que a primeira diferença que senti na hora de educar as nossas filhas bi-nacionais foi quando soubemos que uma menininha estava a caminho. Já comecei a imaginar todo um cenário cor de rosa, muito babado e frufru (tá, confesso, nem tanto, já que não sou uma pessoa muito cor-de-rosa, nem muito menos frufru) e já fui pensando em pedir para a vovó mandar um par de brincos para a netinha, como um que eu tinha quando era pequena e a-ma-va: um brinquinho de ouro com rubi (era mesmo mãe?), em forma de cerejinhas. Fui contar todo o meu cenário bucólico para o maridão e ouço um:

- Nem pensar! Não podemos colocar BURACOS na orelha da nossa filha!
- Como assim BURACOS? São apenas furos nas orelhas, como os meus.
- São BURACOS sim, e minha filha não vai ter as orelhas furadas só porque você quer. Já ouviu falar de livre arbítrio?
- Mas ela será uma menina! E meninas têm as orelhas furadas! Eu tenho, você acha que ela não vai querer ter?
- Mas nem minha mãe, nem minha irmã, têm as orelhas furadas. E você vai ter que me prometer que não vai fazer nada escondido de mim.

E eu prometi. 
E a Sophia ficou sem brincos nas orelhas. Tudo isso porque aqui na Alemanha, principalmente nas famílias mais tradicionais, ricas ou esnobes, sei lá, é considerado brega furar as orelhas. O que é muito estranho, já que aqui todo mundo tem as orelhas furadas, muitos homens também usam brincos, mas meninas têm que ficar com as orelhas intactas até mais ou menos a entrada para a escola. Ou melhor ainda até estarem na quinta série. Ou, glória das glórias, para sempre.

Com isso, passei muito tempo (já que Sophia era BEM carequinha) respondendo que não, meu bebê não é um menino. Não tá vendo que ela está de vestido e ainda por cima cor-de-rosa? Pois aqui também não é considerado de bom tom vestir muito cor-de-rosa nas meninas. Claro que eu muitas vezes usava e pronto. Afinal, porque os meninos podem usar tudo azul e as meninas não podem usar cor-de-rosa? É a tal emancipação feminina às avessas, eu diria. Na ânsia de não querer rotular e delegar papéis pré-determinados às meninas, os alemães acabam colocando tabus em assuntos de importância (na minha opinião) secundária, como brincos e cores. Espera-se de verdade que meninas filhas de pais com curso superior não usem muito rosa, nem tenham brincos. Quando encontrava com alemãs que viam minhas filhas vestidas de forma mais delicada, eu escutava muitas vezes uma justificativa da parte delas, um comentário do tipo: "ah, de vez em quando elas também podem usar rosa, né?". Como se fosse necessário que eu me justificasse perante as minhas escolhas femininas.

Outro ponto, bem mais importante, que me faz pensar é a fomentação da independência da criança. Aqui crianças devem ser independentes o mais rápido possível. Isso significa, por exemplo, que muitos pais esperam que as crianças durmam a noite toda, desde sempre. E acreditam piamente que estarão "estragando" a criança se "cederem" ao seu choro e lhe forem socorrer ao chorar. Então tem toda uma parafernália de livros, cursos e fóruns de discussão em que se "ensina" a criança a dormir a noite toda. Como? Deixando-as chorar, claro. 
Pegar muito no colo também é para os fracos. Normalmente, se uma criança cai, dá-se uma rápida olhadela para ver se não tem nenhum ferimento aparente e já se diz a criança que ela deve se levantar. Não tem muito consolo, nem muito mimo.
E, para mim, o cúmulo do fomento da independência é esperar que a criança saia de casa aos 18 anos. Sim, com 18 espera-se que o filho vá estudar em algum lugar e que depois comece a trabalhar e os pais (claro que inicialmente ajudando financeiramente) dão meio que por terminadas as suas obrigações paternais.

Mas, como tudo na vida tem seus dois lados, esta independência também é interessante! As crianças aqui aprendem bem mais cedo a ajudar na rotina da casa. Sophia com seus quatro aninhos, já arruma seus brinquedos antes de jantar. Ajuda a por a mesa e leva sempre os seus pratos, talheres e copos pra cozinha e já os põe direto na máquina de lavar louça. Ela já sabe há algum tempo usar garfo e faca (engraçado que todo mundo no Brasil se espantava que ela aos 3 anos já usasse garfo! Até a Helena, de um aninho, já está começando a aprender a espetar...), se veste sozinha, vai à piscina com a turminha da escolinha e até se penteia e seca os cabelos com o secador de cabelos sozinha, sob a supervisão dos professores, claro. E muito disso ela aprendeu na escolinha, eu confesso.

Outro ponto muito bom aqui na Alemanha é a alimentação. As crianças têm realmente bons hábitos alimentares. Elas comem muita fruta, muitos legumes, peixe, etc. Claro que depende dos pais incentivar e dar o exemplo, né? Mas até os 3 anos eu diria que a alimentação é excelente. É comum você visitar um alemão e ter uma mesa para as crianças com maçã e pera cortadinha, pepinos, pimentão e cenourinha para que eles mesmos peguem e comam. Sempre brinco dizendo que pepino é a pipoca da Sophia, pois nas raras vezes que ela come assistindo televisão é isso que ela come. 
E adora! Tenho muito orgulho que minha filha coma tão bem e de tudo. Ela não toma refrigerante, não come salgadinhos, ou maionese, ou outros molhos, e larga qualquer coisa por um bom pedaço de melão. E o mérito é da cultura alemã, pois não passa pela cabeça de um alemão oferecer coca-cola para uma criança de 2 anos. Também não há muita tolerância para as "frescuras" individuais. Eu acho que no Brasil é muito, muito comum que as pessoas não comam de tudo. Do tipo: Fulano não gosta de peixe, Cicrano não gosta de azeitona, Beltrano não gosta de cebola (eu, por exemplo!), mas isso por aqui é bem mais raro. Claro que todo mundo tem suas preferências, mas o "não gostar" não significa não comer em hipótese alguma. E isso se aprende cedo por aqui. Pois, como diz o ditado, é de pequenino que se torce o pepino.

E é assim que vou vivendo. Equilibrando o que acho de melhor de cada cultura e integrando à nossa forma de educar. Por sorte meu marido e eu concordamos na maioria das coisas ligadas à educação das nossas filhas e o que não concordamos eu acabo convencendo.

Em tempo, Sophia furou as orelhas com 3 anos e a Helena com menos de um ano ;-)



Hoje as Mamães Internacionais estão fazendo uma blogagem coletiva sobre as diferenças culturais na hora de educar os filhos. Quem quiser ler mais, clica aqui!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Infância livre de consumismo



Há alguns dias vi no blog Super Duper um convite para um debate que estava/está acontecendo na rede no momento sobre o tema Infância livre de consumismo. Este é um tema que me apaixona e que me consome, pois como mãe temos que lidar diariamente com o consumo dos nossos filhos e tentar acertar na dose entre o permitir e o educar.
Pois são muitas as opções de consumo para os pequenos. Arrisco dizer que na geração deles a oferta para o público infantil no mínimo duplicou. Como os pais estão tendo filhos cada vez mais tarde (e com isso as carreiras já estão mais estabelecidas, o poder aquisitivo é maior, os avós têm menos netos para mimar) e cada vez menos filhos, é natural que compremos mais.
Quando eu era pequena, a televisão era uma companheira constante. E na minha casa sempre foi um hábito ligar a televisão (ou as televisões) ao acordar e só desligá-la quando dormiamos. Não acho, no entanto, que isto tenha interferido tanto na minha educação. Meus pais e meus avós deram (e dão) exemplo de que há muito mais a se fazer do que ficar parada na frente da TV. Então, como morávamos numa chácara tinhamos muito espaço para correr, nos esconder, trepar em árvores, pegar fruta no pé, colher cenouras da horta, andar de bicicleta, brigar com os meninos da rua, nadar na piscina, brincar de ABBA (Há! Alguém mais fez isso?) e ler. Aliás, um dos meus apelidos na época era "leledora". Também gostávamos de assistir à televisão, claro. Balão Mágico, Xou da Xuxa, Fofão e tudo mais que a década de 80 nos trouxe sempre esteve presente nas nossas vidas.
Lógico que também éramos influenciados pelas propagandas, mas meus pais sempre trataram a questão com naturalidade: se  cabia no orçamento compravam, se não cabia não compravam. Simples assim. Não acho que eu tenha sofrido por não ter recebido alguma coisa. Muito pelo contrário, lembro do prazer que era receber algo que há tempos eu cobiçava. Da mesma maneira que na primeira infância sonhava com brinquedos, na adolescência sonhava com as "roupas de marca". Queria ter calça da Zoomp ou Fórum, tênis Nike, mochila da Company e por aí afora. Mas também aqui a divisa era: presente se ganha em ocasiões especiais e pronto.
Só que agora o poder aquisitivo e a percepção em relação ao consumo são diferentes em relação à minha infância. Na minha época meus pais não eram confrontados com decisões do tipo: será que é muito cedo para comprar um IPad para meu filho? A partir de que idade o celular é necessário? Quantas horas de TV por dia meu filho pode assistir?

Estas são perguntas da nossa geração e cabe a nós, pais dos anos 10, encontrar as respostas cabíveis e aplicáveis a cada família. Na minha família e no meu contexto de vida, o consumismo infantil não é visto com bons olhos. Temos uma filha de 4 anos e uma de 13 meses e procuramos evitar que as duas sejam muito expostas à propaganda. E o motivo pra isso é que tentamos a todo custo proteger a sua meninice. Não queremos que as nossas filhas percam um só segundo desta fase que julgamos ser tão importante para as suas vidas. E não queremos criar filhas mimadas e consumistas que não consigam encontrar prazer em coisas como um dia lindo de sol, ou a sensação boa das ondas do mar batendo nas nossas pernas. Tampouco queremos que elas recebam um presente atrás do outro, achando que é normal e que as coisas não têm o seu valor e que não precisamos trabalhar para ganhar alguma coisa. Já contei aqui como fiquei decepcionada ao ver que a Sophia não tinha desejos para o Natal. E não quero que isso se repita no Natal deste ano.
Não queremos excesso de presentes, tanto é que este ano pedi a minha mãe (que encheu as netinhas de mimos enquanto estivemos em sua casa, no início do ano, mas foi em UM momento do ano) não enviasse ovos de Páscoa para nós. Afinal queremos que as nossas filhas entendam que o ser é mais importante que o ter. Queremos que elas respeitem as pessoas pelo que elas são, não por aquilo que elas têm. 
E, olhem só, esses dias, perguntando pra Sophia do que ela mais sentia falta no Brasil, ela me respondeu: de brincar com a Vovó. Fiquei tão feliz!! Pois é isso mesmo o que eu quero pra ela. Mas se ela estiver o tempo todo com a TV ligada, onde é que sobra tempo para brincar com a Vovó?

Por isso que aqui em casa, TV é limitada sim. Sophia assiste no máximo 40 minutos à TV por dia. E só em um momento do dia: enquanto estou fazendo o jantar pras meninas. Tenho a sorte de morar em um país (Alemanha) em que temos a escolha de um canal em que não existem propagandas. Então, Sophia pode escolher: ou assiste aos desenhos neste canal, ou DVDs (que são quase todos em português, para que ela aprimore sempre o idioma). Claro que algumas pessoas não entendem o porquê de tanta restrição, mas, como toda mãe, também quero o melhor pras minhas filhas e acredito que isto seja o melhor para elas. Lógico que assim tenho muito mais "trabalho". As horas não passadas na frente da televisão são preenchidas com inúmeras outras atividades: quando está tempo bom vamos brincar no parquinho, passear ou andar de bicicleta. Quando o tempo está ruim visitamos amiguinhos, pintamos, escrevemos, lemos, montamos legos, brincamos de mamãe/papai (ou de Rapunzel, Branca de Neve, Chapéuzinho Vermelho, de piratas, dinossauros ou qualquer outra coisa que a Sophia escolher), fazemos bolo, pipoca, pizza, suco, sorvete ou qualquer outra coisa na cozinha, brincamos com massinha de modelar, de jogo da memória, montamos quebra-cabeça, vamos à piscina, ao teatro ou à biblioteca, enfim, vivemos!

E sem a influência direta da propaganda não somos bombardeados com pedidos do tipo: quero o iogurte X ou a bolacha Y. Para a Sophia iogurte é iogurte e bolacha é bolacha. Aliás, alimentação também é um tema que me apaixona, já que também não permito que a Sophia se influencie pela "propaganda dos amigos". Para mim o esquema de "se Fulana com dois anos já toma refrigerante, porque a Sophia não pode nem experimentar?" não funciona e pronto. Novamente, quero o melhor pras minhas filhas e, assim, quero que minhas filhas aprendam o sabor dos alimentos, da forma mais natural possível. E não em forma de aditivos, corantes e aromatizantes. E olhem só, minhas filhas comem de tudo. Sabe aquela imagem de uma criança tirando tudo que é verde do prato? Isso não existe aqui em casa. Sophia (e Helena também) comem ervilhas, brócolis, espinafre, couve, salsinha, cebolinha e com prazer.

Ou seja, na minha opinião, as crianças devem sim ter o direito a uma infância o mais livre possível de propagandas. Afinal, nós pais já somos bombardeados diariamente com as propagandas e também os maiores culpados. São inúmeras as ofertas para um recém nascido, já repararam? E nós, na nossa ânsia de proporcionar o melhor para os nossos filhos compramos, compramos, compramos, como se não houvesse amanhã. Só que nós pais temos (temos?) um senso crítico capaz de nos guiar a fazer as decisões, mas nossos filhos ainda não. Cabe a nós pais prepararmos os nossos filhos para que eles também sejam capazes de lidar com as frustrações, com o fato de que não poderemos ter tudo sempre. E de que não é razoável comprarmos um brinquedo (ou qualquer outra coisa, isso vale principalmente para os pais!), em mil prestações quando há tantas coisas mais importantes num orçamento familiar.

Na minha opinião, forçar a criança a ter desejos (que é o que a propaganda faz), é fazer com que as crianças deixem de brincar umas com as outras para brincarem com coisas apenas. É cortar a relação interpessoal em prol da individualidade. É cortar as lembranças gostosas que levamos da infância e que carregaremos conosco a nossa vida toda, em troca de alguns minutos de felicidade no momento em que recebem mais um brinquedo. É incentivar a criança a querer ser grande mais rápido. É um estímulo desnecessário da vaidade, da ganância e da possessividade. 

Então sou a favor não tanto da restrição da propaganda, mas muito mais da restrição em si. De que cada pai e cada mãe seja capaz de restringir o consumo geral da criança (e deles próprios!), de restringir as horas na frente da TV, das horas de propaganda, do consumo de porcarias e da exposição da criança a produtos que não foram feitos pra ela. E, finalmente, sou a favor de que cada pai e cada mãe possa oferecer ao filho bons momentos que marcarão toda uma vida. Momentos que eu, graças aos meus pais, pude ter e que espero minhas filhas também estão tendo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Brincando no Brasil

Esses dias frios daqui do norte da Alemanha andam me deixando com saudades ainda mais intensas dos dias gostosos que passamos em Maringá. Ontem nevou de novo, hoje há previsão de neve novamente e assim segue este que é na verdade o último (se tudo correr bem!) mês de inverno. Primavera só começa em março no calendário :-(

Então queria mostrar um pouco dos dias de verão e mostrar, principalmente, como minha filha Sophia tem futuro na carreira de maquiadora rsrsrsrsrs.

Colorindo, colorindo, colorindo... Atividade diária
Sophia em ação

Obra de arte
No Salto Bandeirantes


Helena aprendeu a piscar

Parque do Ingá

Helena mostrando que é forte. Ela realmente conseguiu ficar pendurada por alguns segundos!


Duplinha terrível :-)

Helena aproveitando a piscininha

Pintando as unhas do vovô

As duas escorregando juntas pela primeira vez!

Cor de Maringá :-)

Helena comendo biscoito, pedras e outras coisitas mais...

Sophia e Felipe

No Carnaval

Ela brincou MUITO neste brinquedo.

Helena e seus primeiros passinhos

Helena entrando pelo cano, rsrsrsrs

Sophia e Alice



Brincando com as bacias e as barbies (outra atividade cotidiana)


Helena, Alice, Glória e Alessandra
Na casa da madrinha

Que é de pequenino que se torce o pepino.

Sophia após um dos inúmeros banhos que tomou. Eram no mínimo 2 por dia.

Lavando o tapete com a vovó
 Saudade, saudade, saudade.



quarta-feira, 21 de março de 2012

Queimando a cara da vovó

Quando estávamos no Brasil, Sophia, após alguns dias de integração, começou a não querer mais falar em alemão. No começo ainda me perguntava uma ou outra coisa tipo: como é que fala "verrückt" mamãe? É maluco, Sophia. E assim a coisa ia andando. Ainda brincava consigo mesma em alemão, cantava bastante no idioma de Goethe e tudo mais. Mas acho que passados uns 6 dias já estava só no português mesmo. Tanto que, à noite, quando falava com o pai (nas pouquíssimas vezes que o fez, já que desatava a chorar de saudade cada vez que ouvia a voz do papaizinho querido), já estava me perguntando exatamente  o contrário: Wie sagt man "cansada", mamãe? É "müde" Sophia.

Ainda assim, eu usava de vez em quando esta língua para dar bronca (acho que alemão é um idioma ótimo para isso! Uma língua forte, basta umas 3 palavras, em tom bem sério para a criança notar que tem algo errado, já notaram? Olhem só: Sophia, desliga a televisão e vem almocar, meu amor, está na hora! Versus: Sophia: Fernsehen aus. Sofort! Zeit zum Essen!). Ela estranhou um pouco, já que nunca falo em alemão com ela por aqui (não, nem para dar bronca, rsrsrsrs). E toda vez meio que contestava: mamãe, por que você está falando em alemão?

Enfim, acho que vovó não prestou atenção nisso.

Um dia, estavam as duas no parque. Mas precisamente na ATI (Academia da Terceira Idade, ou Melhor Idade, como se tem dito atual- e politicamente correto). Tem isso em outros lugares também, aliás?
Enfim, nestas ATIs não só aqueles na melhor idade fazem ginástica de verdade. Crianças, jovens e adultos também. Usam os diversos aparelhos e, estando-se em Maringá, no verão e com o sol a pino, suam. E quando suam.... sim, vêm os aromas.
Aí, minha mãe, que também fala alemão, disse pra Sophia:

Sophia, lass uns gehen, der Mann stinkt.
E é claro que ela responde em alto e bom som: por que você falou que o homem está fedido, vovó?

Minha mãe, fingindo que não ouviu nada...

terça-feira, 20 de março de 2012

Venham ver que mosca grande!!

Sophia no Brasil estava em uma fase de descobrir o mundo. 
Achei  bem legal poder contar pra ela tudo que eu gosto do e no Brasil. Além de contar coisas da minha infância, poder mostrar onde era a casa dos meus avós (ainda que eu fique toda emocionada ao ver a casinha deles, mas não os ver), poder mostrar plantinhas que eu costumava brincar, ou coisas que eu gostava de fazer, quando eu era pequena. Eu me lembro que adorava quando meus pais contavam de "antigamente" e noto que ela já gosta também. Aliás, ela me enche sempre de perguntas, quer saber de tudo.

Enfim. Certo dia estávamos saíndo do prédio para passear e a Sophia, como sempre, foi correndo na frente. Queria ser a primeira a chegar lá embaixo. Naquele dia, porém, ela voltou correndo na minha direção e me disse toda eufórica: mamãe, mamãe, vem ver uma mosca grande! Corre!
Uma mosca grande filha?
Sim, mamãe, enooooooorme, vem ver, vem ver, vem ver!
Lá vou eu correndo escada abaixo quando me deparo com uma......
barata, que por sorte já estava morta.

Foto daqui: http://www.musicainfantil.eliotu.com/a_barata.htm

Claro que comecei a rir, mas, depois parei para pensar que realmente não tinha mesmo de onde ela conhecer uma de verdade. Afinal, não tem baratas por aqui! Expliquei pra ela a diferença entre moscas e baratas e ela queria por que queria ver uma barata viva.

Aí vocês juntam uma filha criativa com uma avó que faz todas as vontades da neta (e que superou o seu medo infinito por baratas) e o resultado é: as duas saíram à noite, de lanterna na mão à procura de baratas pela vizinhança.
Elas andaram, andaram, andaram, mas não acharam. Mas a diversão foi muita, pois ainda que eu repita mil vezes que em Hamburgo não tem baratas, ela tem me chamado frequentemente para pegar a nossa lanterna e procurar uma barata por aí...

quinta-feira, 15 de março de 2012

A filha que mugiu e a filha que chorou

Voltei!

Estava morrendo de saudades do blog, de escrever, de ler os comentários, de visitar os blogs queridos, mas a temporada no Brasil falou mais alto ;-) Afinal tinha que aproveitar minha mãe, as meninas tinham que aproveitar a avó e já repararam que o tempo no Brasil voa? Pois é.
Depois vou ainda falar retrospectivamnte sobre um outro passeio, sobre a festinha de 1 ano da Helena, sobre a volta quase dramática para casa, mas por enquanto vou contar só duas coisas pequenininhas, que é para eu não perder a coragem de (re-)começar a escrever.

Primeiro: Sophia que anda dando trabalho para ir para a escolinha... Depois de 6 meses de férias, de mãe e vó todo dia, o dia inteiro, de muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito mimo da avó, de não ter que acordar cedo ela está fazendo cara feia para ir para a escolinha. Gruda no pescoço da gente igual carrapato e não tem quem a tire de lá. Imaginei que seria legal para ela rever as amiguinhas (e realmente foi, ela ficou super feliz e as amigas a recepcionaram super bem), mas ela já perdeu os dois passeios que foram realizados esta semana (a escolinha sempre faz passeios extras nos períodos de férias e, aqui em Hamburgo, as crianças já estão de férias da Páscoa) pois ela se recusa terminantemente a ir. Hoje mesmo foi uma aflição. Nem com promessas de balinha e o desenho preferido ao chegar em casa ela se deixou convencer a ir. Ela chorou, chorou e ficou.

Segundo: Helena teve hoje o seu primeiro dia de adaptação à escolinha! Hoje foi um dia bem light. Só entramos na salinha do maternal e, enquanto ela ficava brincando com os brinquedinhos, eu tinha um longo questionário para responder, em que eu tinha que falar sobre os seus hábitos alimentares, sobre o sono, como consolar a Helena, como alegrá-la, quais palavrinhas ela já fala, entre outras coisas da sua rotininha.
E eu que achei que a Helena fosse chorar me surpreendi. Mesmo tendo tomado vacina ontem e mesmo tendo ficado uns 5 segundos no colo da educadora, ela se comportou super bem!

E o mais legal foi ver uma generalização linda que ela está fazendo.
Um belo dia ensinei pra ela o som da vaquinha: mú. Aí, depois de ela já ter aprendido é que me lembrei de mostrar a figura de uma vaquinha num livrinho e ela achou o máximo, ela via a vaquinha no livrinho e mugia toda fofa. Ah, e o som da vaquinha pra ela é Bú. Só que eu percebi recentemente que ela faz Bú sempre que vê um livro, não sempre que vê uma vaquinha (o que convenhamos não é tão frequente assim).
Só sei que hoje, na escolinha, a professora se mostrou encantada quando a Helena viu um livro e foi correndo até ele dizendo Bú, Bú:

Nossa, ela já fala livro (que em alemão é Buch)! Eu só concordei e disse, não é esperta?

Eu que não ia confessar que ela estava mugindo!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Coisas que não entendo

Perguntas que não se calam quando estou no Brasil:

- Por que não se encontra por aqui NENHUM tipo de suco que seja realmente 100% fruta no supermercado? Pôxa um país produtor, exportador de fruta como este e só fazem néctar para o mercado interno??

- Por que a pampers não é igual em todos os países? A pampers daqui vaza. Simples assim. Estou há quase 3 semanas por aqui e enquanto Helena estava usando a fralda alemã não tivemos um vazamento noturno, desde que começamos com o pacote de fraldas brasileiro temos pijama, lençol e colchão molhados toda manhã...

- Por que sou considerada uma E.T. por ainda não dar refrigerantes para a minha filha de quatro anos?

- Por que o plural está desaparecendo do português?

- Por que o BBB ainda existe?

- Por que uma caixa de fraldas custa 60 reais?

- Por que a Helena só toma água de coco? E o que vou fazer quando voltar pra Alemanha?

- Como continuar a dieta quando se tem tantas coisas gostosas à disposição?

- Como continuar limitando as horas em frente da TV quando se tem televisores ligados por toda a parte?

And last but not least:

- O que fazer com duas netas absolutamente apaixonadas pela avó quando formos embora??

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Brasil!!!!!!!!!

Olá!

Só queria explicar um pouquinho meu sumiço: estamos no Brasil! Chegamos há quase uma semana e estamos aproveitando o calor felizes da vida por termos fugido do frio de -14°C, que estava fazendo quando deixamos Hamburgo... Mas a diferença térmica de quase 50 graus não é brincadeira não, minha gente.
Logo, logo volto!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Você compraria um brinquedo desses pro seu flho?

Hoje me admirei ao abrir minha caixa de mensagens e me deparar com a seguinte imagem:



Como é possível que uma companhia do tamanho da Lego ofereça de verdade um produto deste tipo? Não sei se é pegadinha, talvez alguém até tenha feito uma montagem (muito bem feita) e eu cai feito um patinho, mas se não for, putz!

Brincar de polícia e bandido faz parte do imaginário infantil, claro, mas brinquedos como este francamente contrariam todo o bom senso. Eu acredito que as crianças devam receber bons exemplos com os quais possam se identificar e se autoprojetar. Talvez eu seja muito puritana, mas, para mim, identificação com ladrões arrombando caixas eletrônicos é demais.

Lamentável.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Minha mãe foi atropelada.

Agora imaginem o choque de uma filha ao ouvir esta frase?
Pois é. Gelei, gelei, gelei e só o que eu pude pensar, depois de me assegurar que ela estava bem, foi: eu odeio o trânsito no Brasil.

Minha mãe é jovem (vejam a foto dela aqui), super descolada e antenada e mesmo assim ela foi atropelada. Por muita sorte não aconteceu nada de mais grave. Ela gritou quando viu que o carro não ia frear e assim o motorista parou. Caso contrário ela teria possivelmente voado pra longe. Assim, ficou "só" com o corpo dolorido e algumas manchas roxas.
O motorista, em vez de acudir minha mãe, começou a gritar com ela. Dizendo que o sinal estava verde pra ele e pronto (sinal verde pra pedestre ou não existe ou não conta, né?). Outros pedestres que estavam por perto cercaram o carro, o motorista se sentiu intimidado e, vendo minha mãe chorar e sentindo o seu nervosismo, enfim se solidarizou e ofereceu para levá-la ao hospital. Minha mãe só queria ir para casa, se recompor e acalmar e recusou, disse que estava tudo bem. Nem pensou na hipótese de chamar a polícia e ficou feliz e sensibilizada com as inúmeras pessoas, desconhecidas, que estavam na rua e que se ofereceram para ajudar.
 
Mas a minha indignação não passou como o passou o susto da minha mãe. Eu fico ainda me remoendo e pensando: e se ela não tivesse gritado? E se tivesse sido o meu pai (que é, provavelmente, a pessoa mais distraída da face da terra e que não teria gritado)? E se tivesse sido minha cunhada com minha sobrinha pequena, que também moram perto desta mesma avenida onde o atropelamento aconteceu?

E se tivesse sido minha filha ou a sua?

Claro que acidentes acontecem. Acontecem aqui, no Brasil e na China também. Mas no Brasil eles acontecem em um número muito maior. E acontecem apesar das leis que deveriam em primeiro lugar proteger o elo mais frágil da corrente do trânsito: o pedestre.

E até quando vai ser assim, hein? Até quando nossas leis vão precisar "pegar" como se fosse motor velho que têm que pegar no tranco? Até quando os motoristas do Brasil vão achar que estão acima da lei?
Até quando os motoristas vão achar que podem tudo, só porque estão dentro de um veículo? Até quando eles vão se esquecer que quando descem do carro também são pedestres? Até quando teremos que atravessar ruas correndo, feito desvairados, temendo literalmente pelas nossas vidas?

Acho muito engraçado quando recebo visitas aqui na Alemanha. Frequentemente elas ficam testando se os carros vão realmente parar na faixa de pedestres e se deleitam quando veem que sim, que isso "funciona" aqui. Incrível não? Até a Mercesdes freou! Olha o Audi também está freando! Existe uma regra aqui que diz que o carro deve parar quando um pedestre quer atravessar na faixa de pedestres. E, oh!, os alemães param! E os pedestres atravessam em segurança, simples assim.

Agora porque isso não funciona no Brasil? O motorista brasileiro por acaso tem mais pressa que o alemão? Ele tem mais compromissos? Porque no exterior o brasileiro se encanta com a "civilização" e quando volta ao seu país acha que está no velho oeste? Porque ninguém exige que se cumpra algo que serve à segurança de todos?

Até quando vamos nos deparar com imagens como estas:


Ou com títulos de reportagens como este:

Atropelamento de casal prejudica trânsito na avenida Brasil

(Caramba, atrapalhando o trânsito! Como este casal ousa ser atropelado bem na Avenida Brasil? Eles não sabem que assim atrapalhariam o trânsito do Rio de Janeiro? E o menino ainda foi morrer, para piorar a situação e atrapalhar ainda mais.)

Até quando vamos ter notícias do gênero: Brasil é o quinto colocado no mundo em número de vítimas de acidentes de trânsito? E números como estes: 37 mil mortes no trânsito por ano no país.

Eu sou mãe e filha e não quero que ninguém da minha família entre para estas estatísticas horrorosas. Nem meus amigos, nem conhecidos, nem inimigos.

Quero um trânsito mais seguro e respeito às leis. Quero que minhas filhas nunca tenham que perguntar pra que servem estas linhas brancas no chão e tenham que responder (como uma amiga minha no Brasil teve que dizer para seus filhos): elas servem para enfeitar a rua.


Chega de acidentes!


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

- 100°C em Boston!

Chegamos em Boston com sol e muito calor! O nosso hotel ficava um pouco longe do centro, então decidimos que nosso dia teria que render. Tinhamos 3 objetivos: fazer um passeio com um veículo anfíbio, caminhar a freedom trail e ir até Cambridge para vermos Harvard.
Quando eu era caloura do curso de Letras há muitos e muitos anos tinha como sonho colocar meus pés em Harvard ou Oxford, pelo menos uma vez na vida. Tá certo que naquela época eu ainda achava que poderia mudar o mundo, ou no mínimo comandar alguma revolução de qualquer tipo, mas o sonho, apesar de minha vida estar mais longe do mundo acadêmico do que nunca, ainda continuou. Então Harvard, e algumas lembrancinhas que afinal ninguém é de ferro, fizeram, sim, parte do itinerário.

Começamos com o duck tour. O passeio se inicia pela parte "seca" da cidade, que cobre muitos dos pontos que fizemos depois caminhando, ao longo da Freedom Trail. O motorista, que também faz as vezes de guia, era bem animado e, coincidentemente, falava português pois ele nasceu na Angola.




E depois de uns 40 minutos entramos na água. É bem interessante esta parte. O motorista explica como é que o veículo se prepara para entrar, no rio os botões que ele tem que apertar, as regras de segurança e pronto, lá vamos nós nadando feito patinhos :-)





A Sophia pode até dirigir! E ele deixava a criançada guiar de verdade. E por isso andamos em círculos por alguns minutos :-)


O passeio é bem divertido, mas também bastante caro. Recomendo para crianças, mas na verdade, na verdade, não é algo que precise necessariamente ser feito, já que toda a parte "seca" dá para se fazer andando (mesmo com crianças, já que o trajeto não é tão longo) e a parte "molhada" é bonitinha, mas não é imprescindível. Depois disso almoçamos rapidamente no restaurante do museu da ciência - onde o passeio é iniciado - e fomos começar o passeio a pé. Ele é todo sinalizado, tanto no chão, com uma linha vermelha, quanto com plaquinhas informativas na frente dos monumentos principais.


O passeio a pé demora, obviamente, dependendo do tempo que você passa dentro de cada atração. Tem alguns museus, igrejas e claro que entrando longamente em todos eles dá para passear por até 2 dias. Mas com um calor forte e pouco tempo à disposição nós passeamos por umas 4 horas. Depois disso, a Sophia estava com vontade de brincar. Então fomos para um parquinho que encontramos no meio da cidade. Sophia brincou bastante com água e com os outros brinquedos e a Helena também aproveitou para esticar as perninhas.


Engraçado como sempre nos lembramos desta tarde no parquinho. Neste local ouvimos uma brasileira conversando com o seu filho. Era basicamente uma série de avisos: Fulano não sobe aí, Fulano desce e outras frases semelhantes. Aí, marido, aproveitou para puxar papo enquanto eu fui ao banheiro (estava com uma diarreia horrorosa, devo ter comido peixe estragado em Cape Cod, então tinha que correr com frequência para o banheiro mais próximo, mas enfim, não preciso me alongar neste assunto....). Acho que era tudo o que a brasileira queria! Sabe aquela pessoa que não tem o botãozinho "off"? Que abra a torneirinha de asneira e não fecha mais? A própria.
Começou a me contar de todas as dores que a acometiam, da sua carência de vitamina D, de como toma complemento, de como não podia engravidar, de como depois finalmente conseguiu, de como não faz sol em Boston (o que naquele momento, com uns 32 graus e um céu estupidamente azul era bem difícil de acreditar) e que como fazia menos 100 graus no inverno. Sim, -100. Graus célsius, para não restar dúvidas.
Acho que a minha cara de incrédula não passou despercebida, pois ela logo acrescentou: juro por tudo quanto é mais sagrado. E continuou dizendo como com esta temperatura você  congela depois de 5 segundos ao ar livre.
Para não ter que falar sobre os menos 100 graus perguntei sobre a vida dela no Brasil, há quanto tempo não via a família, essas coisas que se perguntam quando a gente mora longe da terrinha. E ai ela já começou a me contar toda empolgada sobre como ela tinha ido ilegal para os Estados Unidos e coisas assim.

Agora fico pensando nesta mulher e fico pensando na sua solidão. Na tristeza de passar 6 anos sem ver os pais, amigos e outros parentes do medo que não deve sentir de uma coisa dar errado e ela ter que deixar a sua casa, da sua necessidade de impressionar uma completa estranha (eu) com coisas como o clima e a (falta de) saúde. Mas também penso na sua vontade de nos ajudar (perguntei qual metrô que deveriamos pegar para ir até Cambridge e ela foi muito prestativa, procurando as linhas no celular e tudo). Engraçado como sentimos uma certa afinidade com alguém só por dividirmos o mesmo passaporte, não é? E engraçado como uns 30 minutos de conversa com alguém nos fazem refletir sobre tanta coisa...

Mas enfim, depois disso fomos finalmente passear pelas ruazinhas de Cambridge e admirar Harvard e o MIT! Bem neste dia estava tendo uma festa enorme para os calouros, então não conseguimos entrar na maioria dos prédios, mas mesmo assim o passeio por lá foi de arrancar suspiros (meus).
Quase comprei uma camiseta pra mim onde se lia: sou mãe de uma caloura de Harvard, mas decidi que minhas filhas de 3 anos e 7 meses poderiam se sentir um pouco pressionadas :-)


quarta-feira, 13 de julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Nacionalidade

Este post é só para dizer que a Helena agora também é brasileira!
Engraçado como estas coisas são importantes, não? Não sei explicar o motivo. Mas acho que eu ficaria muito decepcionada se minhas filhas não falassem o mesmo idioma que eu e se não tivessem a mesma nacionalidade. É uma parte importante minha, que compõe a minha personalidade, a minha maneira de pensar e agir e até mesmo a forma de eu me expressar.

Então no final de semana fomos até Berlin, em primeiro lugar para a minha mãe conhecer a cidade.




E aproveitamos para irmos até a Embaixada, na segunda-feira. Engraçado que só de entrar na Embaixada a gente já se sente um pouquinho em casa. Estava lendo um blog agorinha falando de trilhas sonoras e foi só eu me lembrar da Embaixada, para relembrar a música em que estava pensando quando lá entrei:

Isto aqui, ô, ô
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
Desse Brasil que canta e é feliz,
Feliz, feliz


E me lembrei da música tanto pelo lugar, pelo ambiente, pela falta de organizaão (rá! também é uma característica nacional, não?), quanto pelas pessoas, pelas conversas simpáticas e tudo mais... Mas depois de algumas enrolações é oficial: Helena também é brasileirinha.



Nem foi tão difícil assim: basicamente é necessário preencher um formulário, anexar fotos, documentos dos pais (passaporte), comprovante de endereço (fazia muitos, muitos anos que eu não precisava disso já que a identidade alemã tem o endereço escrito atrás, então é só mostrar e pronto... mas a Embaixada não aceita documentos estrangeiros, então tinha que ser uma conta. Só que difícil achar conta quando pagamos tudo por online banking, não?... Por sorte eles aceitaram uma carta do seguro de saúde), certidão de nascimento alemã e ir pessoalmente até Berlim para conferir a certidão prévia e pessoalmente.

E foi bom. Quase que o maridão vira albanês se eu não confiro direitinho :-)