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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Infância livre de consumismo



Há alguns dias vi no blog Super Duper um convite para um debate que estava/está acontecendo na rede no momento sobre o tema Infância livre de consumismo. Este é um tema que me apaixona e que me consome, pois como mãe temos que lidar diariamente com o consumo dos nossos filhos e tentar acertar na dose entre o permitir e o educar.
Pois são muitas as opções de consumo para os pequenos. Arrisco dizer que na geração deles a oferta para o público infantil no mínimo duplicou. Como os pais estão tendo filhos cada vez mais tarde (e com isso as carreiras já estão mais estabelecidas, o poder aquisitivo é maior, os avós têm menos netos para mimar) e cada vez menos filhos, é natural que compremos mais.
Quando eu era pequena, a televisão era uma companheira constante. E na minha casa sempre foi um hábito ligar a televisão (ou as televisões) ao acordar e só desligá-la quando dormiamos. Não acho, no entanto, que isto tenha interferido tanto na minha educação. Meus pais e meus avós deram (e dão) exemplo de que há muito mais a se fazer do que ficar parada na frente da TV. Então, como morávamos numa chácara tinhamos muito espaço para correr, nos esconder, trepar em árvores, pegar fruta no pé, colher cenouras da horta, andar de bicicleta, brigar com os meninos da rua, nadar na piscina, brincar de ABBA (Há! Alguém mais fez isso?) e ler. Aliás, um dos meus apelidos na época era "leledora". Também gostávamos de assistir à televisão, claro. Balão Mágico, Xou da Xuxa, Fofão e tudo mais que a década de 80 nos trouxe sempre esteve presente nas nossas vidas.
Lógico que também éramos influenciados pelas propagandas, mas meus pais sempre trataram a questão com naturalidade: se  cabia no orçamento compravam, se não cabia não compravam. Simples assim. Não acho que eu tenha sofrido por não ter recebido alguma coisa. Muito pelo contrário, lembro do prazer que era receber algo que há tempos eu cobiçava. Da mesma maneira que na primeira infância sonhava com brinquedos, na adolescência sonhava com as "roupas de marca". Queria ter calça da Zoomp ou Fórum, tênis Nike, mochila da Company e por aí afora. Mas também aqui a divisa era: presente se ganha em ocasiões especiais e pronto.
Só que agora o poder aquisitivo e a percepção em relação ao consumo são diferentes em relação à minha infância. Na minha época meus pais não eram confrontados com decisões do tipo: será que é muito cedo para comprar um IPad para meu filho? A partir de que idade o celular é necessário? Quantas horas de TV por dia meu filho pode assistir?

Estas são perguntas da nossa geração e cabe a nós, pais dos anos 10, encontrar as respostas cabíveis e aplicáveis a cada família. Na minha família e no meu contexto de vida, o consumismo infantil não é visto com bons olhos. Temos uma filha de 4 anos e uma de 13 meses e procuramos evitar que as duas sejam muito expostas à propaganda. E o motivo pra isso é que tentamos a todo custo proteger a sua meninice. Não queremos que as nossas filhas percam um só segundo desta fase que julgamos ser tão importante para as suas vidas. E não queremos criar filhas mimadas e consumistas que não consigam encontrar prazer em coisas como um dia lindo de sol, ou a sensação boa das ondas do mar batendo nas nossas pernas. Tampouco queremos que elas recebam um presente atrás do outro, achando que é normal e que as coisas não têm o seu valor e que não precisamos trabalhar para ganhar alguma coisa. Já contei aqui como fiquei decepcionada ao ver que a Sophia não tinha desejos para o Natal. E não quero que isso se repita no Natal deste ano.
Não queremos excesso de presentes, tanto é que este ano pedi a minha mãe (que encheu as netinhas de mimos enquanto estivemos em sua casa, no início do ano, mas foi em UM momento do ano) não enviasse ovos de Páscoa para nós. Afinal queremos que as nossas filhas entendam que o ser é mais importante que o ter. Queremos que elas respeitem as pessoas pelo que elas são, não por aquilo que elas têm. 
E, olhem só, esses dias, perguntando pra Sophia do que ela mais sentia falta no Brasil, ela me respondeu: de brincar com a Vovó. Fiquei tão feliz!! Pois é isso mesmo o que eu quero pra ela. Mas se ela estiver o tempo todo com a TV ligada, onde é que sobra tempo para brincar com a Vovó?

Por isso que aqui em casa, TV é limitada sim. Sophia assiste no máximo 40 minutos à TV por dia. E só em um momento do dia: enquanto estou fazendo o jantar pras meninas. Tenho a sorte de morar em um país (Alemanha) em que temos a escolha de um canal em que não existem propagandas. Então, Sophia pode escolher: ou assiste aos desenhos neste canal, ou DVDs (que são quase todos em português, para que ela aprimore sempre o idioma). Claro que algumas pessoas não entendem o porquê de tanta restrição, mas, como toda mãe, também quero o melhor pras minhas filhas e acredito que isto seja o melhor para elas. Lógico que assim tenho muito mais "trabalho". As horas não passadas na frente da televisão são preenchidas com inúmeras outras atividades: quando está tempo bom vamos brincar no parquinho, passear ou andar de bicicleta. Quando o tempo está ruim visitamos amiguinhos, pintamos, escrevemos, lemos, montamos legos, brincamos de mamãe/papai (ou de Rapunzel, Branca de Neve, Chapéuzinho Vermelho, de piratas, dinossauros ou qualquer outra coisa que a Sophia escolher), fazemos bolo, pipoca, pizza, suco, sorvete ou qualquer outra coisa na cozinha, brincamos com massinha de modelar, de jogo da memória, montamos quebra-cabeça, vamos à piscina, ao teatro ou à biblioteca, enfim, vivemos!

E sem a influência direta da propaganda não somos bombardeados com pedidos do tipo: quero o iogurte X ou a bolacha Y. Para a Sophia iogurte é iogurte e bolacha é bolacha. Aliás, alimentação também é um tema que me apaixona, já que também não permito que a Sophia se influencie pela "propaganda dos amigos". Para mim o esquema de "se Fulana com dois anos já toma refrigerante, porque a Sophia não pode nem experimentar?" não funciona e pronto. Novamente, quero o melhor pras minhas filhas e, assim, quero que minhas filhas aprendam o sabor dos alimentos, da forma mais natural possível. E não em forma de aditivos, corantes e aromatizantes. E olhem só, minhas filhas comem de tudo. Sabe aquela imagem de uma criança tirando tudo que é verde do prato? Isso não existe aqui em casa. Sophia (e Helena também) comem ervilhas, brócolis, espinafre, couve, salsinha, cebolinha e com prazer.

Ou seja, na minha opinião, as crianças devem sim ter o direito a uma infância o mais livre possível de propagandas. Afinal, nós pais já somos bombardeados diariamente com as propagandas e também os maiores culpados. São inúmeras as ofertas para um recém nascido, já repararam? E nós, na nossa ânsia de proporcionar o melhor para os nossos filhos compramos, compramos, compramos, como se não houvesse amanhã. Só que nós pais temos (temos?) um senso crítico capaz de nos guiar a fazer as decisões, mas nossos filhos ainda não. Cabe a nós pais prepararmos os nossos filhos para que eles também sejam capazes de lidar com as frustrações, com o fato de que não poderemos ter tudo sempre. E de que não é razoável comprarmos um brinquedo (ou qualquer outra coisa, isso vale principalmente para os pais!), em mil prestações quando há tantas coisas mais importantes num orçamento familiar.

Na minha opinião, forçar a criança a ter desejos (que é o que a propaganda faz), é fazer com que as crianças deixem de brincar umas com as outras para brincarem com coisas apenas. É cortar a relação interpessoal em prol da individualidade. É cortar as lembranças gostosas que levamos da infância e que carregaremos conosco a nossa vida toda, em troca de alguns minutos de felicidade no momento em que recebem mais um brinquedo. É incentivar a criança a querer ser grande mais rápido. É um estímulo desnecessário da vaidade, da ganância e da possessividade. 

Então sou a favor não tanto da restrição da propaganda, mas muito mais da restrição em si. De que cada pai e cada mãe seja capaz de restringir o consumo geral da criança (e deles próprios!), de restringir as horas na frente da TV, das horas de propaganda, do consumo de porcarias e da exposição da criança a produtos que não foram feitos pra ela. E, finalmente, sou a favor de que cada pai e cada mãe possa oferecer ao filho bons momentos que marcarão toda uma vida. Momentos que eu, graças aos meus pais, pude ter e que espero minhas filhas também estão tendo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Saudades e gracinhas

Continuo aparecendo pouco, afinal ainda estou com visitas, oba!
A Sophia está na praia com os avós e está adorando. Quase que as coisas deram errado, no entanto.
No segundo dia de praia, meu sogro me liga avisando que Sophia estava com febre. Nossa, me desesperei. Queria pegar o carro e ir buscá-la imediatamente. Acho que só não fui pois já era tarde da noite e eu tinha acabado de dirigir 200 kms (e teria que dirigir quase o dobro disso para ir buscá-la)... Ela já estava com uma tossezinha quando saiu daqui, mas parece que lá a tosse piorou e, como acontece algumas vezes nesta situação, teve uma hora que tossiu tanto, mas tanto, que até vomitou. Ai, claro, ela só pensava em vir pra casa e meu sogro ligou para que eu a acalmasse. Mas como acalmar quando sua filha liga e fala assim: "mamãe, eu tô doente. Eu tô triste mamãe, vem me buscar agora". Com muita ênfase no "agora"... Fiquei com o coração partido.
Acalmei a Sophia da melhor maneira que pude e combinamos de telefonar no dia seguinte de manhã. Por sorte ela passou super bem a noite, minha sogra ficou com ela no quarto a noite inteira para conferir se a febre não voltava, e acordou já bem mais feliz (e sem febre!). Ela falou então comigo num tom bem mais animado, me contando que os avós tinham até deixado que ela assistisse televisão (e eles nunca deixam, meu marido e cunhada cresceram sem tv em casa). Rá, me senti vingada no dia em que eles me olharam torto pois eu permiti que ela assistisse um desenho na hora do jantar, num dia em que o ciúme em relação à Helena andava a mil...
Enfim, como a febre não voltou e o seu humor estava cada vez melhor, ela ficou.

Com isso a Helena está ganhando uma porção extra de mamãe. E é a sorte, pois a Helena está bem exigente, querendo muuuuuito colo. Desde que ela começou a virar que ela não quer mais ficar deitadinha no chão. É ela encostar as costinhas no chão que ela já vira. E depois de virar e brincar um tempinho ela se cansa e começa a chorar. Ela ainda não consegue desvirar e, talvez, isto seja o motivo para a sua frustração.

No mais Helena tem estado muito ativa. Ela adora brincar com seus brinquedinhos agora. Ela pega, põe na boca, joga fora, tenta pegar de novo, usa os pés para pegar também e faz muitos barulhinhos. Ela está treinando a ação de tirar a chupeta e recolocá-la na boca (ainda sem sucesso, o que também é motivo de muita reclamação!). Ela adora copos (fica toda entusiasmada quando me vê bebendo água!), o lustre da cozinha, espelhos e a mamãe, claro :-) Acho que sou o brinquedo favorito, heheheh. Ela adora puxar meu cabelo, segurar minhas roupas e babar no meu ombro, entre outras coisas. 
Ela continua não dormindo muito durante o dia, mas à noite até que dorme bem. Claro que ela acorda para mamar. Mas nem abre os olhos, só mama e já volta a dormir rapidinho. E falando em acordar... ela acaba de me chamar :-)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

I'll survive

Consegui: sobrevivi ao meu primeiro dia inteirinho sem ajuda com as meninas. Quer dizer, quase.
À noite, tive sim uma ajudazinha. Mas com o maridão viajando, as coisas aqui em casa ficaram bem mais complicadas. E confesso que passei a semana toda temendo pelo que viria pela frente. Principalmente a hora de dormir, pois é bem a hora que a Sophia finalmente quer ter um momento só dela, sem ter que esperar que a irmã mame, arrote, durma, troque a fralda, etc., e é o momento que a Helena costuma estar beeeeem inquieta.

Assim, ontem, domingo, fizemos pouca coisa e tudo em ritmo lento.
Sophia acordou e fomos juntas tomar café. Ela acordou bem feliz e disposta, veio pra minha cama, mas, para não acordar a Helena, já descemos pra brincar na sala, enquanto eu fazia o café. Ela comeu bonitinho seu pão, tomou o leite, comeu uma fruta e depois fomos trocar de roupa. Quando tinhamos acabado de nos vestir a Helena acorda, toma café também :-) e faz aquela cagada, sujeira que exige que troque a roupa toda. Como tinhamos planos de ir ao zoológico, resolvi não dar banho naquele momento, pois assim perderiamos mais umas 3 horas.
Mas nisso a Sophia cansou de esperar, queria brincar com um quebra-cabeça novo que ganhara e se recusou a escovar os dentes para sairmos. Enquanto discutiamos os porquês de ter que escovar os dentes, pentear os cabelos, prender a franja para não cair na testa e por casaco, a Helena dormiu profundamente, no sofá. Quando fui colocá-la na cadeirinha do carro, lógico que acordou berrando de fome. Daí, foi mamar de novo, cagar, sujar as fraldas de novo, trocar a roupa toda de novo, aproveitei para pôr a roupa para lavar e ufa, depois de apenas 4 horas, conseguimos sair de casa e ir para o zoológico!!!

Chegando lá foi tudo bem legal. Tivemos sorte e ganhamos uma sacolada de frutas e legumes para alimentar os elefantes (a Sophia adora dar comida, ainda que não tenha a coragem de ser ela mesma a dar, ela sempre segura na manga do meu casaco enquanto estendo uma cenoura em direção aos paquidermes) e tinha parado de chover exatamente no tempo em que estivemos por lá.
Fizemos piquenique em frente aos macacos, ela brincou no parquinho do zoo, Helena mamou entre uma jaula e outra e voltamos bem pra casa.


Em casa ainda conseguimos passar o fim da tarde brincando, sem apelar para a televisão, demos juntas banho na Helena, jantamos e já chegou a Nai para me ajudar com a princesinha. Ela ficou passeando pela casa (Helena gosta muito de flores e quadros, acho que temos que começar a frequentar museus hehehehe) enquanto eu dava banho na Sophia. Depois ainda pude ler pra ela e cantar tranquilamente até que adormecesse enquanto a irmã mais nova esperava pacientemente. Que maravilha! Fui dormir feliz, com a sensação de dever cumprido! Agora é torcer para que a semana toda seja assim e que o meu babá oficial volte logo :-)