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terça-feira, 10 de maio de 2011

O dia em que quase pus fogo na casa

Nunca sei ao certo quanto a Helena vai dormir nas sonequinhas da manhã. Às vezes são 30 minutos, outras 45, algumas vezes chega a uma hora e, com muita sorte, até mesmo 2! Sorte pois neste caso dá para fazer muitas coisas: almoçar, lavar roupa, por pra secar, guardar roupa no armário (roupa é quase uma obsessão, já que nenéns e filhas de 3 anos sujam muita, muita, muita roupa!), dar uma geral na casa, ligar para família e amigos, ler e responder e-mails e até escrever no blog :-)
Hoje mesmo, ela adormeceu por volta das 8:20. Agora ja são 10 e ela ainda está dormindo. O que não é típico, pois a primeira soneca do dia nunca costuma passar de uma hora. Ou seja, ela gosta de me deixar na expectativa :-)

Mas enfim, ontem, foi um destes dias em que eu ficava controlando o relógio e pensando: quais são as prioridades, o que fazer antes dela acordar? E assim, fui fazendo as coisas: arrumei as camas, fiz almoço, almocei, coloquei as coisas na máquina de lavar louça, arrumei os brinquedos da Sophia e coloquei as chupetas da Helena para ferver (não, ela continua não pegado chupeta, mas continuo tentando e como já fazia quase uma semana que não tentava, resolvi dar uma esterilizada).
Nisso a Helena acordou. Fui amamentar, daí o telefone tocou e era uma amiga combinando de irmos a um parquinho com as crianças na quinta. Falamos mais um pouco e daí a Helena fez cocô. E como ela tinha feito um montão e o body tinha se sujado resolvi dar um banho. Então nós duas subimos, preparei a banheirinha, a roupinha para vestir depois e o famoso secador de cabelo, para momentos felizes após o banho.
Já falei que ela AMA o banho? Ela bate as perninhas, sacode os bracinhos, sorri, sorri e sorri! É uma festa! Ficamos um bom tempo no banheiro até que ela cansou. Aí fomos para o quarto, coloquei-a no trocador, dei uma pré-enxugada e comecei a passar o secador, para a alegria da minha princesinha ser completa. Foi então que comecei a sentir um cheiro esquisito de queimado. Achei que fosse o secador, pois ele estava ligado em cima de uma cômoda e pensei que pudesse estar queimando a madeira. Mas não era. Achei que era o próprio secador, mas também não era. Aí começo a pensar um pouco mais, olho pra escada e vejo fumaça subindo.... No meio do pânico me lembrei das chupetas fervendo lá na cozinha... Catei a Helena, coloquei em cima da cama da Sophia, fechei a porta do quarto e desci correndo... A cozinha estava bem esfumaçada e o cheiro insuportável. Catei a panela e saí correndo para levar a panela para a sacada, para cima de umas pedras para não queimar mais nada. Aí abri todas as janelas, subi correndo, acabei de por a roupa na Helena e desci correndo para passearmos um pouco, enquanto a casa arejava, afinal o cheiro estava realmente horrível.

Só sei que fiquei tremendo. Morrendo de medo de ter posto minha filha em perigo. E com raiva do detector de fumaça que não apitou. Pôxa, se a fumaça chegou a subir escada cima, era para ele ter apitado, não era??? Não temos detector diretamente na cozinha (pois os vapores enquanto cozinhamos costumam já fazer disparar o detector), mas no corredor sim, ou seja, era para ter disparado, na minha opinião.

Mas para não dizer que não aprendi nada com esta história (para além da minha decisão de não mais ferver as chupetas, vou colocá-las no esterilizador, mesmo só para poucas coisas): vejam só como o silicone é resistente! Eram duas chupetas com capinhas, o plástico tanto da chupeta quanto da capinha derretereu totalmente, mas o silicone ficou!


Beijos e cuidado com as panelas!

P.S.: Helena ainda está dormindo!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

I'll survive

Consegui: sobrevivi ao meu primeiro dia inteirinho sem ajuda com as meninas. Quer dizer, quase.
À noite, tive sim uma ajudazinha. Mas com o maridão viajando, as coisas aqui em casa ficaram bem mais complicadas. E confesso que passei a semana toda temendo pelo que viria pela frente. Principalmente a hora de dormir, pois é bem a hora que a Sophia finalmente quer ter um momento só dela, sem ter que esperar que a irmã mame, arrote, durma, troque a fralda, etc., e é o momento que a Helena costuma estar beeeeem inquieta.

Assim, ontem, domingo, fizemos pouca coisa e tudo em ritmo lento.
Sophia acordou e fomos juntas tomar café. Ela acordou bem feliz e disposta, veio pra minha cama, mas, para não acordar a Helena, já descemos pra brincar na sala, enquanto eu fazia o café. Ela comeu bonitinho seu pão, tomou o leite, comeu uma fruta e depois fomos trocar de roupa. Quando tinhamos acabado de nos vestir a Helena acorda, toma café também :-) e faz aquela cagada, sujeira que exige que troque a roupa toda. Como tinhamos planos de ir ao zoológico, resolvi não dar banho naquele momento, pois assim perderiamos mais umas 3 horas.
Mas nisso a Sophia cansou de esperar, queria brincar com um quebra-cabeça novo que ganhara e se recusou a escovar os dentes para sairmos. Enquanto discutiamos os porquês de ter que escovar os dentes, pentear os cabelos, prender a franja para não cair na testa e por casaco, a Helena dormiu profundamente, no sofá. Quando fui colocá-la na cadeirinha do carro, lógico que acordou berrando de fome. Daí, foi mamar de novo, cagar, sujar as fraldas de novo, trocar a roupa toda de novo, aproveitei para pôr a roupa para lavar e ufa, depois de apenas 4 horas, conseguimos sair de casa e ir para o zoológico!!!

Chegando lá foi tudo bem legal. Tivemos sorte e ganhamos uma sacolada de frutas e legumes para alimentar os elefantes (a Sophia adora dar comida, ainda que não tenha a coragem de ser ela mesma a dar, ela sempre segura na manga do meu casaco enquanto estendo uma cenoura em direção aos paquidermes) e tinha parado de chover exatamente no tempo em que estivemos por lá.
Fizemos piquenique em frente aos macacos, ela brincou no parquinho do zoo, Helena mamou entre uma jaula e outra e voltamos bem pra casa.


Em casa ainda conseguimos passar o fim da tarde brincando, sem apelar para a televisão, demos juntas banho na Helena, jantamos e já chegou a Nai para me ajudar com a princesinha. Ela ficou passeando pela casa (Helena gosta muito de flores e quadros, acho que temos que começar a frequentar museus hehehehe) enquanto eu dava banho na Sophia. Depois ainda pude ler pra ela e cantar tranquilamente até que adormecesse enquanto a irmã mais nova esperava pacientemente. Que maravilha! Fui dormir feliz, com a sensação de dever cumprido! Agora é torcer para que a semana toda seja assim e que o meu babá oficial volte logo :-)

quarta-feira, 2 de março de 2011

A parteira é má

Pelo menos é isso o que a Sophia pensa dela.

Acho que já contei que aqui na Alemanha, todas as novas mamães, têm uma parteira para orientar, ajudar, tirar dúvidas e cuidar da saúde da mãe e do filho nos primeiros dias após o nascimento. Assim que entrei no hospital, por exemplo, já liguei para a minha, avisando que o parto estava pra acontecer. Mas mesmo antes, durante toda a gravidez, ela fica à disposição para esclarecer dúvidas, fazer visitas às grávidas e, algumas mulheres preferem fazer o pré-natal com a parteira, em vez de fazê-lo com o obstetra.

Na minha opinião fazer todo o pré-natal com a parteira, sem ultrassom, é um pouco natureba demais. Mas também liguei pra minha parteira uma vez ou outra, durante a gravidez, para perguntar coisas que eu achava que não justificavam uma ida ao médico.

No dia seguinte à nossa alta do hospital minha parteira já veio fazer a primeira visita. E sempre que vem ela pesa a neném, observa se o útero está voltando ao tamanho normal, verifica como está a cor da bebê (para ver se não está desenvolvendo icterícia), a pele do bumbum, se a pega para a mamada está certa, enfim, é uma conselheira  :-)
Uma das coisas que ela também faz é mostrar aos pais como dar banho no neném. Apesar de já ter uma mocinha de 3 anos, achei que seria legal dar o primeiro banho na Helena junto com a parteira. A Sophia também quis participar e ficou o tempo todo observando o banho e se mostrou bastante triste quando viu a irmãzinha chorar depois do banho.

E atribuiu as lágrimas da irmã à parteira. Achou que esta tivesse machucado a Helena de alguma forma e já começou a comentar comigo (por sorte em português, daí a moça não entendeu nada): ela tá machucando a Helena, mamãe. Ela é muito brava, quando que ela vai embora? Eu não quero que ela fique aqui na minha casa e blá, blá, blá....
Eu não consegui naquele momento explicar para a Sophia que o problema tinha sido mais a temperatura, que estava fria, e que nenéns não gostam de frio. Imaginem a cena: uma filha chorava, a outra praguejava e a parteira continuava falando, querendo me explicar mil coisas, enquanto uma amiga filmava a cena e o maridão com suas muletas tentava entrar no banheiro, com nossa máquina fotográfica na mão. E eu ali, no meio da confusão, tentando dar respostas a todos :-)

Só sei que agora, cada vez que a parteira chega, fico toda envergonhada, pois a Sophia vai logo "cumprimentá-la": vai embora, você não pode vir aqui na minha casa, você não vai machucar minha irmãzinha, você é má, ela é minha neném... E na última vez, para não restar nenhuma dúvida, estas boas-vindas foram em alemão mesmo. Aff.

Resultado: a parteira agora só vem de manhã, quando a Sophia está na escolinha :~)