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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mamãe posso usar seu sapato?

Estes dias no carro, rolou um diálogo assim entre mãe e filha:

- Mamãe, quando eu entrar pra escola eu posso usar seu sapato?
- Ah, se te servir, pode meu amor.
- Mamãe, quando eu entrar pra escola eu posso usar sua roupa?
- Ué, mas pra quê filha, você acha a roupa da mamãe bonita?
- Sim, mamãe. Posso usar sua roupa?
- Se você quiser e se não ficar grande demais (ótima piada, não?), pode, claro.
- Mamãe, quando eu entrar pra escola eu posso sair sozinha?
- Ah Sophia, isso não pode não. Você ainda será pequena para sair sozinha.
- Mas mamãe, quando eu for pra escola daí eu já sou grande!
- Não, filha, ainda não. Você já vai pra escola ano que vem e você ainda não será grande para sair sozinha. Quando você tiver 12 anos (será?) eu te deixo sair uma vez sozinha. Mas filha por que você quer sair sozinha e usar minha roupa e calçar meus sapatos?
- Ah, mamãe, daí eu vou poder ir para Maringá sozinha! E posso visitar a vovó sempre que eu quiser.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Espelho, espelho meu...

... existe no mundo um marido mais fofo que o meu?

Não!!!

Foi só ele perceber que eu estava triste que ele já começou a olhar com mais afinco voos para o Brasil. E melhor, já comprou as passagens!

Beijos bem mais animados,
Karen

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Espelho, espelho meu...

Todas as noites, antes de dormir, Sophia costuma conversar sobre coisas que aconteceram durante o dia. Geralmente são coisas pequenas. Porém noto que nestas conversas é que ela me conta o que realmente lhe é importante. Por exemplo, antes do Natal conversamos muito sobre o papai noel. Desde o dia do livro do pirata, quando começamos a ler a Bíblia ela me pergunta sempre por Jesus, Deus e muitas outras perguntas filosóficas.
E agora, durantes estas nossas conversas, tenho notado algumas vezes o ciúminho em relação à irmã.
Tudo começou durante a nossa ida à feira, no sábado. Neste dia, ao contrário do que é normal aqui na Alemanha, muitas pessoas vieram dar uma olhadinha no carrinho, para espiar a Helena. E foram vários elogios. A Sophia sempre ficava do lado, toda orgulhosa, falando que ela era a irmã mais velha. No sábado à tarde ela também ficou me perguntando porque eu sempre pegava a Helena no colo para ela dormir. Eu só respondi que nenéns gostam de serem embalados e ela ficou satisfeita com a resposta.
Mas aí, à noite, vieram duas perguntas que me surpreenderam mesmo. Ela primeiro me pediu para pegá-la no colo, pois disse que queria dormir assim. Peguei e estávamos lá, abraçadinhas, quando ela me perguntou: mamãe, quando eu era pequenininha, como a Helena, você também me pegava no colo para eu dormir? Aí disse que sim, claro, que eu pegava um montão e que até hoje ainda adoro pegá-la no colo. Que era só pedir que eu faria.
Depois ela me perguntou: mamãe, quando eu era pequena eu também era bonitinha como a Helena? Nossa, isso me partiu o coração! Fico imaginando como a Sophia na sua cabecinha fica se comparando à irmã e talvez pensando que não é tão amada ou querida... Que tristeza!

Definitivamente tenho que passar mais tempo só com ela...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Maternidade Real


A Carol Passuelo convidou em seu blog para que as mães blogueiras falassem sobre a experiência única de ser mãe, e como a realidade é diferente da teoria. Quando li este convite não pude deixar de começar a pensar no que significava pra mim a maternidade real. E o textinho abaixo é uma tentativa de por em palavras os pensamentos que surgiram na minha cabeça :-)

Ser mãe começa muito antes de um bebê nascer. Ser mãe começa com ser filha.
Pois ser filha significa observar todos os passos de sua mãe. Cada gesto, cada sorriso, cada bronca, cada decisão - tudo isto contribui enormemente para construir a nossa visão do que é ser mãe e, de quebra, o que é ser uma boa mãe. Afinal, uma boa mãe é o que todas queremos ser, a melhor mãe do mundo, a melhor mãe que podemos ser.

E ah! Como isto é difícil. Pois ser mãe significa também termos que equilibrar o ideal com o praticável. O sonho com a realidade. Significa entrar em acordo com o pai da criança, com a família, com a escolinha, com a própria criança e com o mundo em que vivemos, tudo isto para educarmos os nossos filhos da melhor maneira possível.

E este é o maior desafio. Afinal de contas o que é o melhor para uma mãe, é apenas razoável para uma outra. Parece que cada mãe tem algum assunto relacionado à educação do seu filho, que considera primordial.

Vejo minha irmã que se informa sobre cada ingrediente de qualquer alimento que entra na boca do seu filho, pois alimentação pra ela é assunto sério; vejo uma grande amiga que leva sua filha semanalmente ao médico, pois ela pesquisa sempre todos os sintomas que sua filha apresenta e teme que possa ser algo mais grave; vejo outra amiga/irmã que estimula o lado criativo e artístico de sua filha; vejo minha cunhada que considera disciplina uma qualidade fundamental para seu filho; vejo a mim mesma fazendo questão que minhas filhas falem perfeitamente o português e não somente alemão e, acima de tudo, vejo todas nós tentando equilibrar na balança todos estes ideais.

Só que a educação ideal insiste em fugir de mim...
Preferia que minha filha mais velha não assistisse televisão. Preferia que ela sempre almoçasse, jantasse, lanchasse tudo aquilo que eu coloco em seu prato sem reclamar. Gostaria que ela bebesse mais água (ela não gosta de líquidos, aparentemente... só toma bem o leite no café da manhã, mas nem adianta oferecer leite durante o resto do dia!). Ficaria feliz da vida se ela gostasse de escovar os dentes e de lavar o cabelo com o mesmo entusiasmo com que ela brinca com suas bonecas. Seria maravilhoso se ela não sentisse uma pitadinha de ciúmes da irmã.
Também adoraria que a Helena, mesmo com suas apenas 7 semanas de vida, dormisse a noite toda. Ou que pegasse a chupeta. Ou que não fizesse um monte de cocô justamente quando a fralda já está meio cheia de xixi, vazando assim cocô pelas costas acima. Ou que ela amasse ficar no colo do pai enquanto eu tomo banho sossegada.

Mas fato é que Sophia assiste sim seus desenhos à noite, enquanto eu preparo a janta e assim não fico com uma filha emburrada do meu lado que depois se recusa terminantemente a comer. Ela já dormiu sem escovar os dentes. O cabelo dela eu só lavo quando EU estou de bom humor, para encar numa boa os protestos. Já a Helena dorme ao meu lado na cama compartilhada para que durma o máximo possível e, à noite, se não fez cocô, nem troco a fralda para não acordá-la. 

Ou seja, decidi que não seria xiita.
Eu cresci assistindo Xuxa, Balão Mágico, Angélica e outras figuras do gênero, mas ainda assim me tornei uma pessoa legal (juro!), então acho que não preciso exagerar a dose e não deixar a minha filha assistir tv em momento algum (como é meio que "ditado" pela sociedade alemã).
Procuro oferecer a melhor alimentação possível aqui em casa. Compro frutas e legumes orgânicos na feira e cozinho com frequência, pois não gosto muito de comida pronta, mas não deixo de comprar sacos de legumes congelados para me facilitar a vida (dizem que legumes congelados são até mais frescos que os outros...). Evito dar açúcar para minha filha, mas não acho que ele seja um veneno.
Tento seguir radicalmente a regra de um pai/uma língua, para que o bilinguismo seja uma coisa natural, mas de vez em quando não tem jeito e saem algumas palavrinhas em alemão.
Me esforço para não ceder às birras da minha filha, mas neste exato momento ela está lá dormindo na minha cama, pois não quis dormir na sua e assim eu vou vivendo.

Não esqueço nunca dos meus objetivos, mas tento equilibrá-los com o bom senso e a comodidade (sim, a comodidade, afinal ninguém tem tempo sobrando por aí). Tudo isto temperado com a prioridade que parece ter sido a estrela-guia da educação que recebi da minha mãe - e que também é parte importantíssima da educação que dou para minhas duas filhas: fazer com que elas tenham a certeza absoluta de que ELAS e a felicidade DELAS são a prioridade na minha vida.
E este é o único ideal que eu faço questão que seja também realidade.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A parteira é má

Pelo menos é isso o que a Sophia pensa dela.

Acho que já contei que aqui na Alemanha, todas as novas mamães, têm uma parteira para orientar, ajudar, tirar dúvidas e cuidar da saúde da mãe e do filho nos primeiros dias após o nascimento. Assim que entrei no hospital, por exemplo, já liguei para a minha, avisando que o parto estava pra acontecer. Mas mesmo antes, durante toda a gravidez, ela fica à disposição para esclarecer dúvidas, fazer visitas às grávidas e, algumas mulheres preferem fazer o pré-natal com a parteira, em vez de fazê-lo com o obstetra.

Na minha opinião fazer todo o pré-natal com a parteira, sem ultrassom, é um pouco natureba demais. Mas também liguei pra minha parteira uma vez ou outra, durante a gravidez, para perguntar coisas que eu achava que não justificavam uma ida ao médico.

No dia seguinte à nossa alta do hospital minha parteira já veio fazer a primeira visita. E sempre que vem ela pesa a neném, observa se o útero está voltando ao tamanho normal, verifica como está a cor da bebê (para ver se não está desenvolvendo icterícia), a pele do bumbum, se a pega para a mamada está certa, enfim, é uma conselheira  :-)
Uma das coisas que ela também faz é mostrar aos pais como dar banho no neném. Apesar de já ter uma mocinha de 3 anos, achei que seria legal dar o primeiro banho na Helena junto com a parteira. A Sophia também quis participar e ficou o tempo todo observando o banho e se mostrou bastante triste quando viu a irmãzinha chorar depois do banho.

E atribuiu as lágrimas da irmã à parteira. Achou que esta tivesse machucado a Helena de alguma forma e já começou a comentar comigo (por sorte em português, daí a moça não entendeu nada): ela tá machucando a Helena, mamãe. Ela é muito brava, quando que ela vai embora? Eu não quero que ela fique aqui na minha casa e blá, blá, blá....
Eu não consegui naquele momento explicar para a Sophia que o problema tinha sido mais a temperatura, que estava fria, e que nenéns não gostam de frio. Imaginem a cena: uma filha chorava, a outra praguejava e a parteira continuava falando, querendo me explicar mil coisas, enquanto uma amiga filmava a cena e o maridão com suas muletas tentava entrar no banheiro, com nossa máquina fotográfica na mão. E eu ali, no meio da confusão, tentando dar respostas a todos :-)

Só sei que agora, cada vez que a parteira chega, fico toda envergonhada, pois a Sophia vai logo "cumprimentá-la": vai embora, você não pode vir aqui na minha casa, você não vai machucar minha irmãzinha, você é má, ela é minha neném... E na última vez, para não restar nenhuma dúvida, estas boas-vindas foram em alemão mesmo. Aff.

Resultado: a parteira agora só vem de manhã, quando a Sophia está na escolinha :~)