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terça-feira, 1 de maio de 2012

É mole?

Ontem Helena estava doentinha (de novo). E tive que levá-la ao pediatra (de novo). Como tem acontecido desde que ela entrou para a escolinha, ela teve febre (de novo) e preferi deixá-la em casa pelo resto da semana (idem, idem).
Com isso não tive tempo para arrumar a casa, como costumo fazer quando as meninas estão na escolinha.

Fui buscar a Sophia, voltamos pra casa, ela entra na sala, dá uma boa reparada e me diz:

-Mamãe, que bagunça! Porque você não arrumou a casa hoje? Não gosto de ver meus brinquedos desarrumados.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O melhor presente

Helena está numa semana meio chatinha. Os dentes molares estão querendo nascer. Ou seja a gengiva está inchadinha, vermelha, coçando bastante e a Helena só quer saber de morder tudo o que vê pela frente. Ela está babando tanto que parece um são bernardo, com aqueles cadarços de baba eternamente pendurados nos cantos da boca.
E claro que não quer comer direito, que não tem dormido muito bem e que não quer ficar sozinha nem por um minuto. Ela pode estar brincando tranquilamente,mas se nota que eu saio da sala já logo protesta. Ou seja, estou tendo uma semana muito divertida ;-)

Mas por não querer ficar sozinha, acabei tendo tempo para reparar como a simples presença da mãe é importante para uma criança da idade da Helena. Ela só precisa que eu esteja presente. Aí ela brinca pela sala toda, explora cada brinquedo que encontra pela frente, tira todos os outros dos seus respectivos lugares, morde o controle remoto, baba no telefone, se espanta que eu sempre grito não quando chega perto dos cactos, fica irritada por não conseguir pegar algum objeto de cima da mesa, encontra algum pedaço de papel e enfia rapidamente na boca pois sabe que eu vou tirar dela, testa novamente se eu vou gritar não se chegar perto dos cactos novamente, vai pra debaixo da mesa e fica brava por não conseguir se levantar quando está embaixo da cadeira, tudo isso ad infinitum. Mas sempre, entre uma ida e outra, vem até mim, me dá um abraço, um beijo babado ou um arranhão ou puxão de cabelo, como que para recarregar as energias ou para receber uma dose de auto-confiança. É tão lindo! E tão legal saber que eu só preciso estar ali, sempre ao lado dela, sem fazer nada de especial. Mas tem que estar ali de verdade, de corpo e alma, sem telefone, celular, iPad ou laptop. Só assim Helena se sente capaz de explorar seu mundo, totalmente à vontade.

Descobri que este é o melhor presente que posso dar: meu tempo. Simples assim. Simples, de coração.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Mamãe matou aula...

Ontem estava com preguiça. Aliás, desde quinta de manhã.
Aí que acordei tarde, fiz café pra todos, separei roupa para a Sophia, troquei a Helena, tomei café, coloquei roupa para lavar, tirei a louça limpa da máquina, coloquei a louça suja do café e quando finalmente olhei para o relógio faltavam 10 minutos para as 9. E dez minutos depois eu teria que sair para levar a Helena para o Pekip. Mas estava chovendo, estava frio e a Helena ainda fez cocô. Tive que trocar a fralda, reparei que a blusinha dela estava meio suja do mamão, que ela comeu no café, troquei a camiseta e aí já eram 9 horas.

A preguiça chuva continuava.

Desisti de ir. Vi que uma amiga querida tinha ligado e resolvi ligar de volta :-) E resolvi que iria aproveitar a manhã pra mim. Afinal a Helena sempre dorme super bem, umas duas horas pela manhã, e em vez de correr pro computador, ou de fazer coisas para a casa, fui desmatar a floresta amazônica fazer depilação, tirar o esmalte que estava no pé há uns 2 meses fazer as unhas , hidratação no cabelo e uma máscara no rosto.

Comecei por falar um tempão com a Lú e quando a Helena dormiu fui para minha sessão de beleza particular. Claro que neste dia a Helena dormiu só 50 minutos. Mas deu tempo de fazer quase tudo. E estou me sentindo tão melhor!!!!

Helena você perdoa a mamãe? Prometo que semana que vem estaremos lá!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

EHEC

Ser mãe em tempos de EHEC não é fácil.
Não sei se todo mundo já ouviu falar deste termo... Então, explicando para quem não conhece: trata-se da super bactéria Escherichia colí que anda circulando pela Alemanha, mais precisamente em Hamburgo, justamente a cidade onde moramos... A maioria das pessoas fica somente com gastroenterite, mas outras têm complicações gravíssimas e acabam com uma síndrome hemolítica urêmica. Neste caso os rins param de funcionar, os pacientes têm que fazer diálise e muitos ainda sofrem com distúrbios neurológicos graves.. Ou seja, um cenário assustador.
Mais assustador ainda é o fato que ainda não se sabe como este surto começou. Na busca pela fonte de contaminação da doença já se falou em pepino, tomate, alface e o último suspeito foi o broto. Assim, o ministério da saúde alemão oficialmente declarou que não devemos comer estes itens. No entanto, o médico-chefe do hospital de Hamburgo em que muitos pacientes estão sendo tratados já declarou que ele próprio não come nada cru. Pôxa se ele que está ali, no centro dos acontecimentos, não está comendo nada cru, não tem muito como nós fazermos diferente, né?

Só que com isso, além de ficar com medo de comer e de ver a família comendo, estou tendo diálogos surreais com a Sophia.
- Mamãe, quero pepino!
- Não tem, meu amor, o pepino acabou.
- Mamãe, então eu quero cenoura.
(levo pra ela cenoura cozida)
- Mamãe, mas eu quero clu (acho tão fofinho o "clu" dela!)!
- Agora não dá, querida, já cozinhei todas as cenouras.
- Então posso comer tomate?
- Filha, você não prefere uma bolacha ou um pedaço de chocolate?

Aff!!!! A incerteza é tanta que estou realmente preferindo dar chocolate à fruta... Até quando isto vai durar???

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Maternidade Real


A Carol Passuelo convidou em seu blog para que as mães blogueiras falassem sobre a experiência única de ser mãe, e como a realidade é diferente da teoria. Quando li este convite não pude deixar de começar a pensar no que significava pra mim a maternidade real. E o textinho abaixo é uma tentativa de por em palavras os pensamentos que surgiram na minha cabeça :-)

Ser mãe começa muito antes de um bebê nascer. Ser mãe começa com ser filha.
Pois ser filha significa observar todos os passos de sua mãe. Cada gesto, cada sorriso, cada bronca, cada decisão - tudo isto contribui enormemente para construir a nossa visão do que é ser mãe e, de quebra, o que é ser uma boa mãe. Afinal, uma boa mãe é o que todas queremos ser, a melhor mãe do mundo, a melhor mãe que podemos ser.

E ah! Como isto é difícil. Pois ser mãe significa também termos que equilibrar o ideal com o praticável. O sonho com a realidade. Significa entrar em acordo com o pai da criança, com a família, com a escolinha, com a própria criança e com o mundo em que vivemos, tudo isto para educarmos os nossos filhos da melhor maneira possível.

E este é o maior desafio. Afinal de contas o que é o melhor para uma mãe, é apenas razoável para uma outra. Parece que cada mãe tem algum assunto relacionado à educação do seu filho, que considera primordial.

Vejo minha irmã que se informa sobre cada ingrediente de qualquer alimento que entra na boca do seu filho, pois alimentação pra ela é assunto sério; vejo uma grande amiga que leva sua filha semanalmente ao médico, pois ela pesquisa sempre todos os sintomas que sua filha apresenta e teme que possa ser algo mais grave; vejo outra amiga/irmã que estimula o lado criativo e artístico de sua filha; vejo minha cunhada que considera disciplina uma qualidade fundamental para seu filho; vejo a mim mesma fazendo questão que minhas filhas falem perfeitamente o português e não somente alemão e, acima de tudo, vejo todas nós tentando equilibrar na balança todos estes ideais.

Só que a educação ideal insiste em fugir de mim...
Preferia que minha filha mais velha não assistisse televisão. Preferia que ela sempre almoçasse, jantasse, lanchasse tudo aquilo que eu coloco em seu prato sem reclamar. Gostaria que ela bebesse mais água (ela não gosta de líquidos, aparentemente... só toma bem o leite no café da manhã, mas nem adianta oferecer leite durante o resto do dia!). Ficaria feliz da vida se ela gostasse de escovar os dentes e de lavar o cabelo com o mesmo entusiasmo com que ela brinca com suas bonecas. Seria maravilhoso se ela não sentisse uma pitadinha de ciúmes da irmã.
Também adoraria que a Helena, mesmo com suas apenas 7 semanas de vida, dormisse a noite toda. Ou que pegasse a chupeta. Ou que não fizesse um monte de cocô justamente quando a fralda já está meio cheia de xixi, vazando assim cocô pelas costas acima. Ou que ela amasse ficar no colo do pai enquanto eu tomo banho sossegada.

Mas fato é que Sophia assiste sim seus desenhos à noite, enquanto eu preparo a janta e assim não fico com uma filha emburrada do meu lado que depois se recusa terminantemente a comer. Ela já dormiu sem escovar os dentes. O cabelo dela eu só lavo quando EU estou de bom humor, para encar numa boa os protestos. Já a Helena dorme ao meu lado na cama compartilhada para que durma o máximo possível e, à noite, se não fez cocô, nem troco a fralda para não acordá-la. 

Ou seja, decidi que não seria xiita.
Eu cresci assistindo Xuxa, Balão Mágico, Angélica e outras figuras do gênero, mas ainda assim me tornei uma pessoa legal (juro!), então acho que não preciso exagerar a dose e não deixar a minha filha assistir tv em momento algum (como é meio que "ditado" pela sociedade alemã).
Procuro oferecer a melhor alimentação possível aqui em casa. Compro frutas e legumes orgânicos na feira e cozinho com frequência, pois não gosto muito de comida pronta, mas não deixo de comprar sacos de legumes congelados para me facilitar a vida (dizem que legumes congelados são até mais frescos que os outros...). Evito dar açúcar para minha filha, mas não acho que ele seja um veneno.
Tento seguir radicalmente a regra de um pai/uma língua, para que o bilinguismo seja uma coisa natural, mas de vez em quando não tem jeito e saem algumas palavrinhas em alemão.
Me esforço para não ceder às birras da minha filha, mas neste exato momento ela está lá dormindo na minha cama, pois não quis dormir na sua e assim eu vou vivendo.

Não esqueço nunca dos meus objetivos, mas tento equilibrá-los com o bom senso e a comodidade (sim, a comodidade, afinal ninguém tem tempo sobrando por aí). Tudo isto temperado com a prioridade que parece ter sido a estrela-guia da educação que recebi da minha mãe - e que também é parte importantíssima da educação que dou para minhas duas filhas: fazer com que elas tenham a certeza absoluta de que ELAS e a felicidade DELAS são a prioridade na minha vida.
E este é o único ideal que eu faço questão que seja também realidade.