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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Tenho algo embaraçoso para contar...

Então, vamos por partes.
Primeiramente queria falar sobre o sistema educacional alemão :-) Pelo menos um pouquinho.

Aqui na Alemanha você não pode simplesmente colocar seu filho no maternal (até 3 anos). Vagas no maternal só são garantidas a mães que trabalham período integral ou que estudem (faculdade, ou curso intensivo de alemão, ou as que recebem ajuda do governo para sobreviver por estarem desempregadas). Se você não se encaixa em nenhuma das categorias não tem direito à escolinha e pronto. Claro que sempre dá para tentar uma escolinha particular, mas obviamente o preço é muito, muito mais salgado. Não que seja baratinho pagar a escolinha, para quem tem uma renda melhorzinha fica caro ainda assim (o preço varia de acordo com a renda do casal e do tempo em que a criança permanecerá na escola. Se alguém se interessar tem uma tabela de preços (com detalhes em alemão) aqui,).

Curiosidade: mas pelo menos o preço baixou. Aliás, acreditam que aqui em Hamburgo um outro partido foi eleito por ter (entre outras coisas, claro) prometido abaixar o preço da escolinha? Eu votei neles :-) E realmente o preço baixou! Não sabia que promessas de campanha são realizáveis! Achei que fosse algo tipo papai noel, coelhinho da Páscoa e Saci Pererê, sabe? Que só existem no imaginário popular..

Uma outra (grande) dificuldade é encontrar uma escolinha. Não basta simplesmente chegar em uma e dizer quero matricular meu filho. Como as vagas são limitadas você tem que concorrer a um lugar. E não tem critérios para aprovação! Tenho uma amiga que mandou 70 currículos até conseguir um lugar para o filho dela! Nós já tivemos mais sorte (ou persistência): eu selecionei umas 5 escolinhas que me interessavam (por recomendação, proximidade ou dicas na internet) e depois de visitar as cinco, fiquei torrando a paciência de 3 (ligando muuuuitas vezes pra lá) para conseguir uma vaga. Consegui vaga nas 3 e depois tive a difícil tarefa de ter que me decidir.

Enfim, depois que você provar que tem um emprego fixo (tem que levar o contrato de trabalho para a secretaria da criança, juntamente com muitos outros documentos como holerite, certidão de nascimento etc, para que seja calculado quanto você vai pagar) e que tem uma vaga na escolinha, você pode ir até a tal da secretaria da criança e solicitar um vale-escolinha. Trata-se de um papel em que está escrito que você levou a documentação necessária, e que a secretaria vai pagar pela escola do seu filho, e qual é o percentual restante a ser pago pelo responsável do aluno. Este vale os pais recebem pelo correio.

E é aqui que começa de fato o assunto deste post. Eu recebi um vale desses (que deve ser levado imediatamente à escolinha) comunicando o feliz fato de que o preço tinha abaixado! Nem acreditei na minha sorte. Pra ser sincera a minha primeira reação foi achar que a secretaria tinha feito algum erro e que eu já deveria deixar de lado o dinheiro economizado momentaneamente para ressarcir os cofres do Estado depois :-). Mas, conversando com outras mães, percebi que não havia erro nenhum e que eu poderia levar tranquilamente meu vale à escola. Porém, nesta altura, a escolinha da Sophia estava em férias e eu guardei o papel para levar depois.

Pois é. Eu "guardei" foi só uma palavra bonita para dizer eu deixei o papel em algum lugar qualquer. Quando a escolinha finalmente reabriu comecei a procurar o bendito do vale. Procurei, procurei, procurei e nada. Minha mãe me ajudou a procurar, procurei na caixa onde deixamos o papel velho (e que deve ser colocado num contâiner especial para a recolha do lixo) e novamente nada. Coloquei a culpa no marido, dizendo que ele deveria ter perdido o papel, ele me ajudou a procurar também, mas nope. Não encontramos o vale.
No auge do meu desespero comecei a procurar meu óculos de sol da Versace e meu ipod, pois sempre que "guardo" estes itens (já que foram caros costumo querer "guardar melhor" e assim nunca os encontro depois), e procuro por eles depois, acabo encontrando um monte de outras coisas desaparecidas (em tempo achei uma calça que andava procurando há séculos!), mas novamente não fui bem sucedida...

Aí me restava a humilhante opção de ir até a secretaria da criança e a) admitir que sou desorganizada dizer que perdi o papel; b) por a culpa na minha filha dizer que minha filha pintou/rasgou/sumiu com o papel e c) chorar em vez de dizer qualquer coisa até o povo da secretaria me dar um novo vale para eu parar de encher o saco.
Nenhuma das alternativas estava me agradando muito, eu confesso. Até que minha mãe veio com uma sugestão maravilhosa: põe a culpa em mim! Brilhante, não? Melhor que assumir minha desorganizaçao. Melhor que por a culpa numa criança (e em mim por tabela), o que quase sempre parece uma desculpa esfarrapada..  E não seria mesmo?

E foi assim que cheguei na tal da secretaria com a seguinte frase nos lábios: tenho algo embaraçoso para contar... Aliás, fica a dica, esta é uma frase ótima quando você quiser que funcionários públicos te escutem. Acho que até o porteiro parou para ouvir o que eu queria dizer!
E continuei: minha mãe não sabe alemão (desculpa, mãe!) e achou que o papel do vale não era importante e fez dele a sua lista de compras. O carinha da senha só deu risada e falou: heheheh, minha mãe também não sabe alemão! Ele me deu a senha e eu já fui toda feliz e contente sentar e esperar as 57 pessoas que estavam na minha frente. Nisso, dou mais uma olhada pro meu papel, olho para o número que estava sendo chamado e... era o meu! Olho confusa para o carinha da senha e ele me diz: vai, vai, é tua vez. E sorri novamente!

Nem acreditei na minha sorte e lá fui eu falar com uma velhinha com cara de rabujenta. Mas como tinha dado certo, comecei:
Tenho algo embaraçoso para contar....
E ela, a velhinha não-rabujenta, sorri e me diz:
Acontece. Não se preocupe. Qual é o nome completo da sua filha?

E me deu um novo vale assim, na boa!
Rá, acho que só vou começar diálogos desta forma daqui pra frente. Obrigada mãe pelas costas largas!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quem te ensinou a nadar...

Sophia hoje estava super, híper, mega ansiosa, afinal foi o primeiro dia da natação.
Na sexta-feira ela veio para casa com uma ondinha carimbada no braço, que tinha a finalidade de lembrar a nós, e aos outros pais, que segunda era dia da natação. Ela ficou tão orgulhosa de suas ondas que não queria nem lavar as mãos, ou muito menos tomar banho, com medo que o carimbo apagasse.
Sábado, quando fomos a uma festinha de aniversário de uma amiguinha da escola, não se falava de outra coisa. Afinal, metade da turma estava escalada para ir hoje à piscina, a outra metade na semana que vem. E para felicidade da Sophia ela caiu na primeira turma.
Com isso, ela acordou hoje uma hora antes do normal. Toda feliz.

E eu toda preocupada... Pôxa ela só tem 3 aninhos e esta natação significa que ela iria pegar o metrô, ir até a piscina, nadar (e tem coisa mais assustadora que água???), voltar a pegar o metrô e voltar pra escolinha com os outros aluninhos de no máximo 4 anos e 3 professores!
Se por um lado sempre acho bonitinho quando vejo estas turminhas de crianças fazendo passeio pela cidade, dá um certo pânico quando uma das criancinhas é a minha princesinha... Só sei que passamos uns 10 minutos hoje de manhã treinando:
Como você se chama?
Como é o seu nome completo?
Como é o nome do papai?
Como é o nome da mamãe?
Onde o papai trabalha?
Onde você mora?
Como que a gente atravessa a rua?
Que bom que ela respondeu tudo certinho, mas acho que agora vou treinar o número do telefone até o próximo passeio...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Psss.... é segredo!



Sábado é dia de compras aqui em casa. Normalmente eu já fazia as compras na sexta-feira, com a Sophia, mas desde que a Helena nasceu, temos feito ou em família, ou pai e filha mais velha vão sozinhos fazer feira e depois mercado.
No sábado que passou, levantei um pouco mais tarde (como de costume, devido às madrugadas meio animadas ;-) ) e assim que coloquei o pé na sala, a Sophia veio correndo me contar: mamãe, o papai e eu vamos comprar seu presente, mas é segredo! Aí já vem a voz do papai: Sophia, mas não era para falar isso, é segredo! Daí, ela vira pra mim e fala bem baixinho: mamãe eu não posso te falar que nós vamos comprar um presente pra você porque é segredo, tá? Claro, claro. E eu dando risada, pergunto: E o que vocês vão comprar pra mim? Resposta dela: não sei, peraí que vou perguntar pro papai :-)
Não sei porque, mas ele não quis contar.

Enfim, os dois vão enfim fazer as compras. Helena e eu ficamos em casa. Por sorte consigo tomar café da manhã beeeeem tranquilamente! Quando os dois chegam a Sophia vem correndo me contar, mas falando bem baixinho no meu ouvido: mamãe compramos um CD pra você mas é segredo!! Hahahahahah! Nada como contar segredo pra criança... Mas ela conta tão feliz, que quando o Felix deu uma pequena bronca, para reforçar que segredo não se conta, ela começou a chorar, toda magoada...

No dia seguinte, pude receber aquele beijo da filha mais velha, que veio correndo pro meu quarto cantando parabéns pra você em todas as versões que ela conhece (em português, inglês e duas versões em alemão e mais é pique, é pique, é pique!), com flores na mão e o cd que ela comprou. E ainda teve presentões do papai, presente do Brasil, presente de amigos, muitos telefonemas, várias mensagens e e-mails!

Ou seja, estou ainda com aquela sensação especial que temos quando fazemos aniversário, mas não conta pra ninguém que é segredo :-)