terça-feira, 12 de abril de 2011

Sobrevivi

Finalmente a semana do marido em viagem de trabalho chegou ao fim. Eu estava igualmente no fim das minhas forças.
Confesso que não foi tudo tão ruim assim. Nestes 9 dias a Sophia não acordou nenhuma vez durante a noite, chamando por nós (ou por mim, no caso). E comeu muito bem. Só que deu trabalho para adormecer. Muito trabalho. Muito trabalho MESMO.
Pra falar a verdade, não achava que nestas alturas do campeonato (a Helena completa hoje 8 semanas de vida) ela fosse sentir um ciúme assim tão desenfreado. No entanto, a atenção que a minha princesa mais velha estava recebendo em doses reforçadas do papai acabou fazendo muita falta... E com isso vieram os ataques de birra. Adormecer virou o pior momento do dia pra mim. Por um lado tinha que deixar a Helena aos cuidados de outras pessoas durante mais ou menos 2 horas (obrigada Nai, Rosana, Sarah!). E como é duro ouvir um neném chorar e não ir correndo no mesmo instante para acudir... Só que como fazer isso enquanto a filha mais velha desmonta o seu quarto? E desmonta ainda mais se nota que a mãe sai correndo para acudir a mais nova, deixando-a em segundo plano? Pois é.

E Sophia usou de todas suas pequenas (mais super eficientes) armas para chamar minha atenção. Ela jogava os brinquedos pra longe ou escada abaixo, se eu não estivesse no quarto; ficava o tempo todo levantando, se recusando a deitar nem por um segundo; não queria saber de carinho; não queria que eu lesse ou cantasse pra ela (acho que tinha medo que iria pegar no sono assim); tirava a roupa de cama e sua própria também; usava todos os xingamentos que conhecia (você é cocô, você é xixi, não vou te convidar pro meu aniversário, voce não é mais minha amiga, nunca mais); tentava bater em mim ou ameaçava fazê-lo, gritava como uma desesperada e eu ficando cada vez mais nervosa por não conseguir acalmá-la e por não conseguir acalmá-la rápido para poder pegar a Helena.

Por sorte foram apenas 2 estas noites tão horrorosas. Mas enquanto estava passando por elas, achei que minha vida nunca mais seria a mesma e que estava fadada a lidar com uma precoce adolescente de 3 anos a partir de então.

A melhor coisa para acalmar estes debates de fúria, no caso dela, é "distrair a fera". E isso funciona principalmente quando faço ou falo algo totalmente inesperado. Depois de tentar na noite 1 toda sorte de truques usuais para distrair a mocinha (do tipo: vamos ler a história da Chapeuzinho Vermelho - que é um dos livros preferidos - ou vamos brincar de mamãe e filhinha) e ter constatado que não estava funcionando, tentei o velho truque do castigo. Este sempre dá certo com ela. Eu digo: vou sair do quarto e quando você se acalmar a gente conversa. Geralmente 15 segundos depois ela já está pronta para pedir desculpas pelo barraco, a gente se abraça e fica tudo bem. Mas no dia 1 isto também não deu certo. Ela só se acalmou depois que inventei que tinha ouvido o coelhinho da Páscoa e que achava que tinha visto um ovo pendurado na janela da cozinha (pois é, mãe tem visão além do alcance, hehehehe). Desci até a cozinha peguei um kinder ovo, ela só quis dar uma mordida, pegou o brinquedo (e olha que sorte, era um coelho!) e daí fomos ler um livro e dormir.

Na noite 2, além de todos os truques acima (que não funcionaram de novo, nem o do coelho) eu apelei para uma outra ideia. Quando ela falou que eu era um cocô eu falei: boa ideia! Eu sou a mamãe cocô e você é a filha cocô e vou te contar uma história do cocô. E inventei a história mais sem pé nem cabeça jamais inventada. E ela ouviu tudo super interessada, super calma e quando acabou pediu a história do xixi também. Contei, claro. E depois ela dormiu tranquilamente....

No dia seguinte, estava contando toda esta odisseia para minha mãe, no telefone, quando ela me disse: será que você não tem que ser mais firme com ela? E eu fiquei pensando nisso... Pensei, pensei e fiquei relembrando o que minha mãe falava pra nós, quando nós éramos pequenas. Não me lembro de ter chamado minha mãe de cocô e acho que se tivesse chamado teria levado umas boas chineladas, mas me lembro da famosa frase:
"Não quero ouvir nem mais um pio."
Esta frase eu e minha irmã ouvimos váááááárias vezes. Mas me lembro também que o que mais gostávamos de fazer, após ouvir a famosa frase, era piar feito malucas. Era minha mãe sair do quarto para começarmos: piu, piu, piu... Então, na terceira noite, desferi a frase: Não quero ouvir nem mais uma palavra. Ela tentava falar alguma coisa e eu repetia: Não quero ouvir nem mais uma palavra.
E não é que deu certo? Ela parou com as manhas e ficou boazinha. Até me disse: "agora eu estou boazinha, né mamãe? Vamos ler uma história? Eu sou a neném gatinha e você a mamãe gata". E este mesmo truque funcionou nas noites seguintes e até no carro.

E foi assim que sobrevivi 9 dias e 8 noites sozinha em casa, com uma adolescente de 3 anos e uma neném de 1 mês e meio.
E sobre esta semana: nem mais um pio :-)

Mas quem tiver mais dicas de como lidar com birras é só falar! É sempre bom ter um estoque de estratégias nas mangas!

13 comentários:

Regina disse...

Nossa que droga fiz um comentário enoooooooorme e sumiu, depois eu escrevo de novo....Bjo.

Rodrigo disse...

Essa do coco foi boa em Taia, hummmm e vc axa que a sua afilhadinha é diferente...naum é naum vc acredita daquele tamanho ela já sabe fazer birra... ela já está falando de tudo Taia, quando está com fome ela abre o armario e escolhe o que quer comer, ha se vc perguntar pra ela: Giovanna vc quer um au au ou miau, adivinha miau.
Mas tanto eu como o Guinho falamos com ela firme, daí já vui é aquele choreiro, mas é só por 2 segundos e para rsrsrsrrs, melhor do que está doente né, depois de uma conferida no orkut pra vc ver.... Um beijo

Alessandra disse...

Olha, a frase vai ser polêmica, mas... me serviu de consolo saber que a Sophia também teve crises homéricas de ciúmes. Até o momento eu estava anchando que só a Glorinha fazia birras, manhas, escândalos e afins... Pelas fotos que você colocou no álbum online, parecia tudo tão cor-de-rosa. Mas acho que o ciúmes sempre vai existir e deixa eu te contar uma que talvez você não esteja esperando (eu não estava, sério mesmo, foi uma supresa e tanto): logo, logo a Helena vai ter ciúmes também!
Eu me lembro que a primeira vez que a Alice resmungou de ciúmes da Glorinha, eu fiquei sem saber o que fazer, achando muito estranho aquilo, e até meio pensando "Ei, Alice, quem tem direito a sentir ciúmes aqui é a Glorinha". Mas ela também tem direito, né...
Prepare-se!

Kathe disse...

Apesar de sua semana trágica, confesso que me divertí lendo seu blog, e enquanto lia,logo lembrei de ouvir vcs duas fazendo Piu Piu Piu assim que eu saia do quarto... e logo em seguida veio seu comentário: Piu Piu Piu.
Com o Guinho a estratégia era outra lembra ?
Vai dormir que essa mãnha é sono... e quando ele já era maior ele mesmo falava... vou dormir essa mãnha é sono.
Mas que bom que serviu pelo menos um pouco para ajudar...
bjs.

Regina disse...

Bom, vamos lá vou tentar escrever tudo o que eu havia escrito. Eu disse que concordo plenamente com a sua mãe, por mais que nos doa, ás vezes temos sim que ser firmes com nossos filhos, para o nosso bem e principalmente para o deles. Me lembro de uma vez em que estávamos no Big, a Naty devia ter a idade da Sophia ou um ano a mais no máximo, não me lembro o que ela queria, mas diante da nossa negativa ela começou a chorar, fazer birra até se jogar no chão. Eu e o Jr não sabíamos direito o que fazer pois já havíamos tentado acalmá-la, como não conseguimos resolvemos deixá-la sozinha no chão, e nos escondemos para ver a reação dela. Quando ela percebeu que não tinha mais público se levantou toda assustada, pois não estava nos vendo (tadinha) deu dó, mas ficamos firmes e quando ela ameaçou chorar novamente nós reaparecemos e falamos para ela que aquele comportamento não era aceitável, lógico em termos infantis né? Eu sei que nunca mais, nunca mais mesmo ela fez uma birra daquelas. Teve também uma vez em que o Felipe se jogou no chão, mas não foi comigo e sim com o pai dele, o Marcos de um "psicotapa" no bumbum e de forma bem enérgica mandou que ele se levantasse, foi a única vez, depois disso nunca mais

Regina disse...

continuando...
Então Taia, é assim mesmo, eu acho que as vezes você precisará ser mais enérgica porque senão ela vai saber te dominar, porque esses anjinhos são muito espertos, e você não vai querer que ela faça uma cena dessas ou te xingue em público né, por isso essas coisas você tem que deixar claras nas primeiras vezes que acontecerem. Outra coisa, você vai precisar ter muito jogo de cintura para não brigar com ela por causa da irmã, senão já viu, ela vai colocar a culpa na pequena e ficar com mais ciúmes ainda, mas eu tenho certeza de que você conseguirá, afinal ciúmes entre irmãos é normal e acontece até mesmo depois que eles se casam e têm filhos não é??? Super beijo!!!

Cleide Ana Rota disse...

Heloísa nem completou 1 ano e já faz birra... Sou firme com ela e percebi que ela não deixa de me amar por isso, o que me tanquilizou bastante; confesso! :D O jeito é manter a calma semdeixar a autoridade de lado. Bom; você é uma guerreira com uma 'adolescentinha' e uma bebê! Sou tua fã de carteirinha... Beijões.

http://www.closetdahelo.blogspot.com

Fabiana disse...

Interessante ler seu post pq assim que a Joana nasceu eu fiquei me culpando por ter "aberto" um espaço tão grande entre uma filha e outra - 6 anos. Achava que o sofrimento tava grande pq a Júlia estava naturalmente passando por uma fase difícil... aquela que a criança deixa de ser lindinha por tudo. E ainda veio o bebê e aí a casa cai mesmo.
Enfim, bom ver que a casa cai de qualquer jeito, né? 6 ou 3 anos de diferença o ciúme é grande e a dificuldade - nossa - é enorme! Posso te assegurar que melhora... hj, 6 meses depois, vejo a Júlia voltando a ser aquela minha menininha de antes.
Mas... tive que recorrer diversas vezes ao banco do castigo.
Beijos

Fabiana
http://2-ao-quadrado.blogspot.com

Camilla Brandel disse...

Hahaha. Nossa, lembro certinho da gente piando depois que a mãe saía do quarto. A gente brigava bastante quando dividia o quarto, mas também era muito divertido. :) Hoje a Sophia tem ciúmes da Helena, mas um dia elas tambem vão ter suas histórias de irmãs.
É, eu ainda não tenho muita experiência com birras, mas "acho" que eu não ia achar nada engraçado se o Nathan me chamasse de cocô. De onde ela teve essa ideia?? Acho que eu deixaria de castigo na hora, igual você falou. Sairia do quarto, voltaria 1 minuto depois e obrigaria a pedir desculpas.
Bom, mas falar é fácil, né? Por enquanto só tenho a teoria. O Nathan também já faz birras, embora não muitas. Por exemplo, quando quer comer só o arroz ou só a carne e fica separando os legumes. Mas eu não cedo, não. Espero o chilique passar e ofereço a colherada de novo. Às vezes faz birra porque não quer ir pro carrinho. Ou então porque está mexendo nas coisas em alguma loja e eu não deixo. Aí nem tem como deixar, mesmo, mas o danadinho é insistente. Eu tiro, ele volta, eu tiro, ele volta. Quando enjoo, coloco ele no carrinho, aí ele faz aqueeeeele escândalo. Mas se um dia ele se jogar no chão, vou usar a estratégia da Gica e sair de perto. Eu já faço isso quando ele faz birras em casa, saio da sala. Ele para a birra, vem atrás de mim e... continua a birra perto de mim, hahaha.
Beijo,
Lica

Karen disse...

@Ale: fotos não dizem muito, né amiga? A gente dificilmente lembra de pegar a máquina quando nossas princesinhas estão se jogando no chão, gritando e bufando, hehehehe. Mas te entendo, não se preocupe. Também fico pensando que birras só acontece comigo. Mas pelo que vejo TODA mãe tem uma história pra contar.

@Ju: por enquanto a Giovanna só tem um ano e meio. AS birras dos 3 anos são o ó!

@Mãe: já até tentei falar pra Sophia que a manha dela era sono, mas até agora não adiantou, heheheh. Ela fica mais brava ainda e diz que não está com sono!

@Gica: em público ela já tentou se jogar no chão, mas realmente não dei a menor bola. Ela daí não faz mais estes escândalos, espero que não tenha mais uma recaída, heheheh. Mas quanto a ser firme... ai, ai, ai... eu tento, mas acho que sou mais molona mesmo. O "mau" da casa é o papai :-)

Karen disse...

@Cleide: obrigada pelo comentário! O duro vai ser quando a Helena começar a fazer birra, somando à da Sophia :-(

@Fabiana: Acho que ciúme rola sempre mesmo... Até na fase adulta! Posso dizer por experiência própria ;-)

Karen disse...

@Lica: a partir dos 2 anos e meio eu diria, cocô e xixi são coisas muito interessantes pras crianças. A Sophia gosta de falar cocô tanto para brincar com alguém, quanto para magoar. Acho que ela sabe que estas são palavras de efeito, já que ela ainda não conhece nenhum outro xingamento... Ah, esqueci que ela também adora falar pum :-) Também com o mesmo padrão. Se ela me chamasse de sofá, por exemplo, não surtiria efeito nenhum, né? Então, tem que me chamar de algo que ela sabe que vai me irritar, hehehehe.

Regina disse...

Engraçado isso, com a Naty o "mau" da casa era o pai, já com o Felipe sou eu, porque se dependesse do Marcos o ele dormiria na nossa cama até os 30 acho..rsrsrsrs.