quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Encontros imediatos: bruxas, ursos, cachorros e mais alguns piratas!

Saímos de Boston em direção à Salem. Quem ainda não leu ou não viu o filme "As bruxas de Salem" tem aqui um museu interessante para saber um pouco mais sobre a história (real) de perseguição que uma comunidade inteira sofreu no final do século XVII. Basicamente umas adolescentes histéricas e sem o que fazer resolveram acusar outras pessoas de  bruxaria, após terem pesadelos e passar mal após ouvir histórias sobre vodu, contadas por uma escrava africana. O médico que as examinou arriscou o palpite de bruxaria e, mais que depressa, as meninas resolveram endossar o diagnóstico acusando outras de as terem enfeitiçado.

Hoje a cidade vive do turismo e mantém a história viva através de vários museus dedicados ao tema. Nas ruas, para deleite da Sophia que viu uma bruxa "de verdade", é comum ver mulheres fazendo propagandas para as mais diversas atividades (museu, restaurante, bar, ateliês, etc.) trajadas a caráter.

















Após visitarmos o museu fomos almoçar e nos deparamos com um festival de pessoas vestidas de forma esquisita. Não tem muito como definir melhor o festival. Era basicamente um monte de pessoas fantasiadas, andando pra lá e pra cá, nas ruas perto do porto. Sophia amou, pois cismou que tinha visto um pirata "de verdade". E embora ela faça esta carinha de tímida ela sempre nos pede para tirar foto com as pessoas fantasiadas. Mas temos que ir junto para dar apoio moral :-)





Ah, queria mostrar também a forma que encontramos para a Sophia descansar um pouco, durante as nossas andanças. Por um lado usamos bastante o canguru, então Helena ia no canguru e a Sophia podia descansar no carrinho. Por outro resolvemos comprar uma prancha para ser adaptada atrás do carrinho, onde as crianças podem ficar em pé.
Uma grande amiga minha tinha me falado sobre elas, quando a minha querida afilhada Alice nasceu. Eu me lembro que até pesquisei sobre elas, mas li basicamente críticas negativas. Que as crianças ficariam preguiçosas, que não é prático para subir meio-fio, que quebra fácil, que não dá para ser adaptado a qualquer carrinho, enfim, a lista negativa era infinita. Na época eu talvez até tenha desencorajado a Alessandra da compra (desculpa Ale!)... Mas como ser mãe é cuspir pra cima para cair na testa, eis que acabei comprando a tal prancha e ela foi muuuuuuuuito útil nesta viagem!





Depois de algumas horas em Salem, pegamos o carro e fomos em direção a Jackson. Cidadezinha ao pé do Mount Washington (White Mountains), onde nos hospedamos com um objetivo: fazer compras nos outlets da região. E nos arrependemos amargamente por não termos planejado mais dias para aproveitar a beleza do lugar...
Também, o proprietário do local, o John, era extremamente simpático. E fez tudo o que poderia fazer para agradar uma mãe: tinha uma caixa enorme de brinquedos para a idade exata da Sophia, tinha um bichinho de pelúcia em cima da cama dela, fez uma fogueira e ainda comprou marshmallows para ela assar na beira da fogueira! E ele ainda tem um cachorro fofo, o Jack, e um gato! E piscina! E fez cookies! E tinha vinho e cerveja à disposição dos hóspedes! E já falei que ele era muito simpático? Amamos mesmo o local e o bed and breakfast, quem se interessar é só clicar: Village House.
Lá perto vive uma família de ursos, que ele diz serem bem mansinhos. Vimos várias fotos e Sophia ficou com muita vontade de vê-los, mas não demos sorte. Quem sabe da próxima vez? Pois gostariamos muito de voltar até lá.






Olha só que carinha mais sorridente e feliz!




As compras também valeram, tenho que admitir. O Estado de New Hampshire tem uma legislação bem amigável para o consumidor e lá não se paga impostos. Então além de você ter preço de outlet ainda paga uns 15% a menos por não ter que pagar imposto. Ô beleza!
Mas depois de comprar, comprar e comprar ficamos um pouco tristes por termos que ir embora e não poder aproveitar melhor as redondezas... Pelo menos fomos ainda até o Mount Washington que tem um título interessante - ele é famoso por ter o pior clima do mundo! E realmente fomos subindo a serra e foi ficando nublado, frio e úmido...


E com isso terminamos a primeira etapa da nossa viagem. Amanhã volto contando dos nossos dias no Canadá.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

- 100°C em Boston!

Chegamos em Boston com sol e muito calor! O nosso hotel ficava um pouco longe do centro, então decidimos que nosso dia teria que render. Tinhamos 3 objetivos: fazer um passeio com um veículo anfíbio, caminhar a freedom trail e ir até Cambridge para vermos Harvard.
Quando eu era caloura do curso de Letras há muitos e muitos anos tinha como sonho colocar meus pés em Harvard ou Oxford, pelo menos uma vez na vida. Tá certo que naquela época eu ainda achava que poderia mudar o mundo, ou no mínimo comandar alguma revolução de qualquer tipo, mas o sonho, apesar de minha vida estar mais longe do mundo acadêmico do que nunca, ainda continuou. Então Harvard, e algumas lembrancinhas que afinal ninguém é de ferro, fizeram, sim, parte do itinerário.

Começamos com o duck tour. O passeio se inicia pela parte "seca" da cidade, que cobre muitos dos pontos que fizemos depois caminhando, ao longo da Freedom Trail. O motorista, que também faz as vezes de guia, era bem animado e, coincidentemente, falava português pois ele nasceu na Angola.




E depois de uns 40 minutos entramos na água. É bem interessante esta parte. O motorista explica como é que o veículo se prepara para entrar, no rio os botões que ele tem que apertar, as regras de segurança e pronto, lá vamos nós nadando feito patinhos :-)





A Sophia pode até dirigir! E ele deixava a criançada guiar de verdade. E por isso andamos em círculos por alguns minutos :-)


O passeio é bem divertido, mas também bastante caro. Recomendo para crianças, mas na verdade, na verdade, não é algo que precise necessariamente ser feito, já que toda a parte "seca" dá para se fazer andando (mesmo com crianças, já que o trajeto não é tão longo) e a parte "molhada" é bonitinha, mas não é imprescindível. Depois disso almoçamos rapidamente no restaurante do museu da ciência - onde o passeio é iniciado - e fomos começar o passeio a pé. Ele é todo sinalizado, tanto no chão, com uma linha vermelha, quanto com plaquinhas informativas na frente dos monumentos principais.


O passeio a pé demora, obviamente, dependendo do tempo que você passa dentro de cada atração. Tem alguns museus, igrejas e claro que entrando longamente em todos eles dá para passear por até 2 dias. Mas com um calor forte e pouco tempo à disposição nós passeamos por umas 4 horas. Depois disso, a Sophia estava com vontade de brincar. Então fomos para um parquinho que encontramos no meio da cidade. Sophia brincou bastante com água e com os outros brinquedos e a Helena também aproveitou para esticar as perninhas.


Engraçado como sempre nos lembramos desta tarde no parquinho. Neste local ouvimos uma brasileira conversando com o seu filho. Era basicamente uma série de avisos: Fulano não sobe aí, Fulano desce e outras frases semelhantes. Aí, marido, aproveitou para puxar papo enquanto eu fui ao banheiro (estava com uma diarreia horrorosa, devo ter comido peixe estragado em Cape Cod, então tinha que correr com frequência para o banheiro mais próximo, mas enfim, não preciso me alongar neste assunto....). Acho que era tudo o que a brasileira queria! Sabe aquela pessoa que não tem o botãozinho "off"? Que abra a torneirinha de asneira e não fecha mais? A própria.
Começou a me contar de todas as dores que a acometiam, da sua carência de vitamina D, de como toma complemento, de como não podia engravidar, de como depois finalmente conseguiu, de como não faz sol em Boston (o que naquele momento, com uns 32 graus e um céu estupidamente azul era bem difícil de acreditar) e que como fazia menos 100 graus no inverno. Sim, -100. Graus célsius, para não restar dúvidas.
Acho que a minha cara de incrédula não passou despercebida, pois ela logo acrescentou: juro por tudo quanto é mais sagrado. E continuou dizendo como com esta temperatura você  congela depois de 5 segundos ao ar livre.
Para não ter que falar sobre os menos 100 graus perguntei sobre a vida dela no Brasil, há quanto tempo não via a família, essas coisas que se perguntam quando a gente mora longe da terrinha. E ai ela já começou a me contar toda empolgada sobre como ela tinha ido ilegal para os Estados Unidos e coisas assim.

Agora fico pensando nesta mulher e fico pensando na sua solidão. Na tristeza de passar 6 anos sem ver os pais, amigos e outros parentes do medo que não deve sentir de uma coisa dar errado e ela ter que deixar a sua casa, da sua necessidade de impressionar uma completa estranha (eu) com coisas como o clima e a (falta de) saúde. Mas também penso na sua vontade de nos ajudar (perguntei qual metrô que deveriamos pegar para ir até Cambridge e ela foi muito prestativa, procurando as linhas no celular e tudo). Engraçado como sentimos uma certa afinidade com alguém só por dividirmos o mesmo passaporte, não é? E engraçado como uns 30 minutos de conversa com alguém nos fazem refletir sobre tanta coisa...

Mas enfim, depois disso fomos finalmente passear pelas ruazinhas de Cambridge e admirar Harvard e o MIT! Bem neste dia estava tendo uma festa enorme para os calouros, então não conseguimos entrar na maioria dos prédios, mas mesmo assim o passeio por lá foi de arrancar suspiros (meus).
Quase comprei uma camiseta pra mim onde se lia: sou mãe de uma caloura de Harvard, mas decidi que minhas filhas de 3 anos e 7 meses poderiam se sentir um pouco pressionadas :-)


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Encontros imediatos: as baleias e alguns piratas!

De Providence fomos então para Cape Cod. Esta região é famosa pelas praias e também pelos passeios de barco para observar baleias. Maridão adorou a ideia de vê-las e este era praticamente o único motivo para estarmos por lá.
Só que chegamos na região em baixo de chuva e a chuva não parou...





Mesmo assim fomos explorar um pouquinho os locais principais. Fomos ao Museu Pirata (mas não acho que tenha valido os 10 dólares de entrada...), à praia, passeamos no centrinho de Provincetown (que é lindinho, com suas casinhas de madeira típicas americanas) e um farol. Quisemos ir ao museu, pois Sophia adora piratas. E como não estava dando para ir ver as baleias quisemos motivá-la desta forma. O museu é basicamente um relato de um morador da região que dedicou a sua vida à busca de um tesouro. E encontrou! Esta parte é realmente bem emocionante.
Mas, para uma criança, quando se fala em museu pirata, outras imagens vêm à tona. Algo mais para o lado do filme Piratas do Caribe, eu suponho. E Sophia queria ver um pirata DE VERDADE. Por sorte ainda deu para improvisar um pouquinho. Papai catou um chapéu e uma espada da lojinha do museu, improvisou uma pala no olho e um  cachecol na boca, enrolou na hora de falar e foi ao encontro da sua fã número um. Sophia não acreditou muito não. Ficava falando: você não é o pirata, é o papai. Mas acho que para agradar o papai acabou entrando na brincadeira (pena que não tenho fotos desta cena...)...





Depois de dois dias de dilúvio (e de cancelamentos do passeio de observação) estávamos desistindo dos cetáceos, empacotamos tudo e resolvemos seguir para Boston. Mas, como maridão estava muuuuuito mal-humorado, resolvi ligar para ver se eles não sairiam mesmo.
E não é que demos sorte? Eles resolveram que o passerio seria realizado sim, pois o sol saíria! E para a nossa felicidade ele saiu mesmo! Acabamos vendo as baleias! Muitas delas!


É realmente incrível ver estes animais tão grandes tão perto! Apesar de eu ter passado mal no barco (eu sempre fico um pouco enjoada no mar, mas como estou amamentando não posso tomar dramim...) foi um passeio muito bom!
Só sei que de lá saimos felizes, passando por Plymouth (infelizmente não deu para ver muita coisa... o relógio do carro estava errado e só nos demos conta disso quando queriamos entrar no museu achando que eram 15:30 quando, na verdade, já eram 17:30) e chegamos em Boston.





Amanhã conto mais!

domingo, 2 de outubro de 2011

Uva Iorque

Estamos então no avião e a Sophia esqueceu um pouco do tema Jesus escondido atrás das nuvens. Aliás, é engraçado que ela acha que Jesus é uma criança. Bonitinho, né?
No avião ela se preocupou mais em brincar com todos os botões, falar com as pessoas no banco de trás, olhar os filminhos e jogar os joguinhos do computador de bordo. Lá pelas tantas, no entanto, se lembrou sim de perguntar onde estava Jesus novamente. Mas aí falei pra ela que Jesus não ficava parado num determinado local, que ele estava sempre por toda parte. Como ela quando está em casa, que não fica parada só na sala, mas que vai pra cozinha, pro banheiro, pro seu quarto, etc. Isso a convenceu e disse que procuraria melhor mais tarde.

Para distrair eu disse: olha lá, já estamos chegando em Nova Iorque! E ela vira pro papai e repete: papai, estamos chegando em Uva Iorque! Ele tenta corrigir e diz: não Sophia, estamos chegando em New York. Ela se acaba de rir e me diz: mamãe, o papai não sabe o nome direito. Ele disse que estamos chegando em Ovo Iorque, mas é Uva Iorque, né?

Chegar em Uva Iorque foi como entrar num forno. Estava muito quente, bem mais de 30 graus (não me lembro direito a temperatura certa, pois vi em Fahrenheits). Mas toda a parte burocrática de passar pelo controle de passaportes, pegar as malas foi muito rápido. Aliás, acho que os alemães são bem mais "chatinhos" na hora de controlar tanto passaporte quanto bagagens do que os americanos! Aqui líquido na bagagem de mão é um no-go absoluto. E lá estávamos com água, suco, leite e ninguém nem pediu para tirar da mala para olhar a embalagem (no embarque da volta)... Fomos então para a locadora, pegamos o carro (um pequeno monstrinho, o Felix não se contentou com menos do que o maior carro estacionado no pátio da locadora) e saimos felizes estrada afora.



Pegamos muito trânsito na passagem por Manhattan. Tinha acontecido um acidente horrível de moto e até passarmos pelo local do acidente as filas quase que não andavam. O pior de tudo foi ver o corpo do motoqueiro ainda no chão, coberto com um pano, mas pano este que estava totalmente coberto de sangue, bem como o chão. Depois fomos ver que aparentemente usar capacete não é obrigatório nos Estados Unidos. Nem cinto de segurança dependendo do estado! Estranho como eles colocam a liberdade de escolha do indivíduo acima de questões de segurança. Então se alguém quer andar de capacete, para sei lá, curtir melhor o vento no rosto e a sensação de liberdade, ele pode.

Enfim, duas horas depois estávamos em Mystic, no estado de Connecticut. Escolhemos este local para abrigarmos nossa primeira noite por não ser muito distante de NY, por ter umas opções legais para crianças (aquário gigante e um bom museu ao ar livre). A noite foi meio curta, às 3 da manhã a Helena já acordou feliz da vida, como quem acorda às 9 da manhã, heheheh, mas as opções foram acertadas. O museu foi fantástico, com boas atrações como um show de cães salva-vidas; oficina de pintura; várias casinhas com artistas trajados com roupas do início do século, mostrando como era a vida nesta altura; o navio Amistad, etc.





Carinha de feliz antes de começar a chupar o sorvete lá no aquário. Mas de bom neste sorvete só a cara mesmo! Era horrível, Sophia jogou até fora!

No aquário nem ficamos muito tempo, pois estávamos todos cansados, com o fuso-horário, então, depois de passarmos rapidinho pela praia, fomos para Providence, já no estado de Rhode Island.


Engraçado como muitos hotéis nos Estados Unidos fazem propaganda por terem café do Starbucks. Fiquei bem animada quando li, pensando em tomar muitos Lates :-) Mas quando chegamos lá é que fomos ver que se tratava simplesmente de pó de café desta marca.





Em Providence aproveitamos mais o hotel. A cidade não é muito interessante. Achei engraçado que quando perguntei na recepção o que fazer na cidade, já que não tinhamos muito tempo e estava chovendo, o concierge me disse: que tal um shopping ou nadar, não tem nada para ver na cidade. :-) Mas ainda assim demos uma voltinha...







Bom, o post já está grande. Continuarei depois!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Procurando Jesus

Minha irmã se mudou recentemente para o Canadá. Bem, recentemente, em termos, já foi em janeiro. Mas ainda tenho a impressão que foi há pouco tempo.
Enfim, já há algum tempo que andávamos querendo conhecer o Canadá, mas quando soubemos que ela mudaria, decidimos esperar até a mudança acontecer para "matarmos dois coelhos" de uma cajadada só. Então que em janeiro ela muda, em fevereiro nasce a Helena, em maio minha mãe veio me visitar, em julho meu pai veio pra cá também, buscar minha mãe e, final de agosto o grande dia finalmente chegaria.

Como esta viagem já estava sonhada há algum tempo, decidimos que iriamos fazer como tinhamos planejado originalmente: iriamos para Nova Iorque, lá alugaríamos um carro e seguiríamos viagem, parando onde fosse legal, até chegar no Canadá. Lá a idéia era "margear" o grande lago, até chegarmos em Niagara e voltar para NY. Confesso que ficamos com um pouco de medo de nos aventurar a andar uns 3500 km de carro, com uma menina de 3 anos e uma bebê de 6 meses, parando praticamente cada dia em uma cidade diferente, passando por dois países, em apenas 3 semanas. Só que tinhamos um plano B que nos parecia bom: se tudo desse errado abandonariamos o carro, pegariamos um vôo direto até Toronto e ficariamos por lá, quietinhos na casa da minha irmã, até o dia da volta pra casa. Achamos legal também o fato de assim podermos voar direto de Hamburgo para NY, sem termos que fazer escala em algum outro lugar da Alemanha, ou Europa. Então, compramos as passagens, definimos a rota e esperamos.



Sophia andava ansiosíssima. Só falava no Canadá e como iria visitar o Nathan, seu priminho, de quase 2 anos de idade. Fizemos uma contagem regressiva no calendário do quartinho dela, contando os dias que ela ainda precisaria dormir para poder viajar e fazendo os risquinhos nos dias que já haviam se passado. Todos os dias, ao acordar, a pergunta era sempre a mesma: é hoje que nós vamos pro Canadá, mamãe? E eu respondia, não ainda tem que dormir 3 noites, 2 noites, 1 noite. Até que o grande dia..... Irene chegou!

Pra quem não se lembra mais, Irene foi um furacão que chegou até o nordeste dos Estados Unidos, fazendo com que vários estados americanos decretassem situação de emergência e até que cidades fossem evacuadas. E como resultado nosso vôo foi cancelado! Agora tenta explicar para uma menininha que andava empolgadíssima por semanas a fio que não viajariamos mais por causa de um furacão! Primeiro tivemos que explicar o que era um furacão (uma chuva muito, muito forte, com ventos tão intensos que podem até fazer um avião cair - o que foi uma ideia estúpida, claro, depois era só ventar um pouquinho mais que a mocinha já me perguntava: mamãe vai cair algum avião hoje?), aí garantir que viajaríamos ainda assim e que ela só teria que dormir mais 7 noites....

O tempo passou, o novo dia D estava se aproximando, e achamos por bem prepará-la para o fato de que não chegariamos imediatamente no Canadá, pois tinhamos absoluta certeza que era por os pés no avião para ela começar a perguntar: cadê o Nathan, cadê a Tia Lica, cadê o Tio Alessandro? Meu marido se encarregou da tarefa e começou a explicar primeiro de tudo que o vôo também era demorado. E começou:

- Filha, quando a gente estiver no avião, vai demorar um pouco até chegarmos em Nova Iorque.
- Mas nós não vamos pro Canadá, papai?
- Sim, vamos, mas primeiro nós temos que ir para Nova Iorque, alugar um carro
- E daí nós vamos pro Canadá?
- Vamos, mas não diretamente.
- Mas, papai...
- Espera, primeiro quero falar do avião pra você.
- Tá.
- Então, primeiro nós temos que acordar de manhã bem cedinho, vamos tomar café, escovar os dentes, fazer xixi, pegamos um táxi e vamos pro aeroporto. Lá temos que fazer um check-in.
- Que é xiquim papai?
- Check-in é mostrar os passaportes para a moça do aeroporto e dar as malas para ela guardar no porta-mala do avião.
(Aqui a conversa desviou um pouco do contexto original pois ela não queria de jeito nenhum ter que entregar a mala, cheia de cacarecos, dela. Mas depois de saber que a mala dela não precisaria ir para o "porta-mala" e que ela poderia, sim, levá-la para dentro do avião, tudo se resolveu)
- Então, depois disso, só depois disso é que podemos entrar no avião e AINDA NÃO VAMOS VER O NATHAN, nós vamos primeiro, ler um pouco, comer, assistir desenho e dormir um pouquinho, tá?
- Mas papai, eu não vou dormir.
- Ué, e porque não Sophia?
- Eu quero ver Jesus que mora no céu.

Então  né? O que dizer numa hora dessas? Marido desiste da conversa e espera para ver o que vai dar...



Continua....

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Voltamos!

Enfim, depois de 3 semanas de viagem, chegamos em casa novamente.
Ainda estamos lutando com o fuso-horário, ainda estamos colocando a casa em ordem (compras, roupa para lavar, poeira para tirar, tentar ressuscitar as plantas que ficaram sem água todo este tempo, pois esqueci de deixar a chave com a amiga que iria aguar as plantas, entre outras atividades do gênero), mas já estou compilando as próximas postagens, que irão relatar as nossas aventuras. Então, não percam os próximos capítulos:

- Procurando Jesus;
- Ovo Iorque;
- -100 graus em Boston;
- Visitando minha irmã;
- Encontros do terceiro grau com baleias, bruxas, piratas e seres marinhos misteriosos;
- Dicas úteis para viagens com crianças
- E muito mais!

Um grande beijo e amanhã eu volto, prometo!