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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Procurando Jesus

Minha irmã se mudou recentemente para o Canadá. Bem, recentemente, em termos, já foi em janeiro. Mas ainda tenho a impressão que foi há pouco tempo.
Enfim, já há algum tempo que andávamos querendo conhecer o Canadá, mas quando soubemos que ela mudaria, decidimos esperar até a mudança acontecer para "matarmos dois coelhos" de uma cajadada só. Então que em janeiro ela muda, em fevereiro nasce a Helena, em maio minha mãe veio me visitar, em julho meu pai veio pra cá também, buscar minha mãe e, final de agosto o grande dia finalmente chegaria.

Como esta viagem já estava sonhada há algum tempo, decidimos que iriamos fazer como tinhamos planejado originalmente: iriamos para Nova Iorque, lá alugaríamos um carro e seguiríamos viagem, parando onde fosse legal, até chegar no Canadá. Lá a idéia era "margear" o grande lago, até chegarmos em Niagara e voltar para NY. Confesso que ficamos com um pouco de medo de nos aventurar a andar uns 3500 km de carro, com uma menina de 3 anos e uma bebê de 6 meses, parando praticamente cada dia em uma cidade diferente, passando por dois países, em apenas 3 semanas. Só que tinhamos um plano B que nos parecia bom: se tudo desse errado abandonariamos o carro, pegariamos um vôo direto até Toronto e ficariamos por lá, quietinhos na casa da minha irmã, até o dia da volta pra casa. Achamos legal também o fato de assim podermos voar direto de Hamburgo para NY, sem termos que fazer escala em algum outro lugar da Alemanha, ou Europa. Então, compramos as passagens, definimos a rota e esperamos.



Sophia andava ansiosíssima. Só falava no Canadá e como iria visitar o Nathan, seu priminho, de quase 2 anos de idade. Fizemos uma contagem regressiva no calendário do quartinho dela, contando os dias que ela ainda precisaria dormir para poder viajar e fazendo os risquinhos nos dias que já haviam se passado. Todos os dias, ao acordar, a pergunta era sempre a mesma: é hoje que nós vamos pro Canadá, mamãe? E eu respondia, não ainda tem que dormir 3 noites, 2 noites, 1 noite. Até que o grande dia..... Irene chegou!

Pra quem não se lembra mais, Irene foi um furacão que chegou até o nordeste dos Estados Unidos, fazendo com que vários estados americanos decretassem situação de emergência e até que cidades fossem evacuadas. E como resultado nosso vôo foi cancelado! Agora tenta explicar para uma menininha que andava empolgadíssima por semanas a fio que não viajariamos mais por causa de um furacão! Primeiro tivemos que explicar o que era um furacão (uma chuva muito, muito forte, com ventos tão intensos que podem até fazer um avião cair - o que foi uma ideia estúpida, claro, depois era só ventar um pouquinho mais que a mocinha já me perguntava: mamãe vai cair algum avião hoje?), aí garantir que viajaríamos ainda assim e que ela só teria que dormir mais 7 noites....

O tempo passou, o novo dia D estava se aproximando, e achamos por bem prepará-la para o fato de que não chegariamos imediatamente no Canadá, pois tinhamos absoluta certeza que era por os pés no avião para ela começar a perguntar: cadê o Nathan, cadê a Tia Lica, cadê o Tio Alessandro? Meu marido se encarregou da tarefa e começou a explicar primeiro de tudo que o vôo também era demorado. E começou:

- Filha, quando a gente estiver no avião, vai demorar um pouco até chegarmos em Nova Iorque.
- Mas nós não vamos pro Canadá, papai?
- Sim, vamos, mas primeiro nós temos que ir para Nova Iorque, alugar um carro
- E daí nós vamos pro Canadá?
- Vamos, mas não diretamente.
- Mas, papai...
- Espera, primeiro quero falar do avião pra você.
- Tá.
- Então, primeiro nós temos que acordar de manhã bem cedinho, vamos tomar café, escovar os dentes, fazer xixi, pegamos um táxi e vamos pro aeroporto. Lá temos que fazer um check-in.
- Que é xiquim papai?
- Check-in é mostrar os passaportes para a moça do aeroporto e dar as malas para ela guardar no porta-mala do avião.
(Aqui a conversa desviou um pouco do contexto original pois ela não queria de jeito nenhum ter que entregar a mala, cheia de cacarecos, dela. Mas depois de saber que a mala dela não precisaria ir para o "porta-mala" e que ela poderia, sim, levá-la para dentro do avião, tudo se resolveu)
- Então, depois disso, só depois disso é que podemos entrar no avião e AINDA NÃO VAMOS VER O NATHAN, nós vamos primeiro, ler um pouco, comer, assistir desenho e dormir um pouquinho, tá?
- Mas papai, eu não vou dormir.
- Ué, e porque não Sophia?
- Eu quero ver Jesus que mora no céu.

Então  né? O que dizer numa hora dessas? Marido desiste da conversa e espera para ver o que vai dar...



Continua....

domingo, 14 de agosto de 2011

Ela acordou sozinha, mamãe!



Seis horas da manhã.
Acabei de dar de mamar pra Helena. 
Ela até queria já ter levantado, ficou me olhando e dando aqueles lindos sorrisos, mas eu mantive meus olhos fechados, sinalizando que queria dormir mais um pouco. Ela pega no sono outra vez.
Estou sentindo que vou adormecer em breve quando ouço uns passinhos no corredor. Como não poderia deixar de ser, logo sinto um "peso" na minha barriga. A Sophia acordou.
Nestas ocasiões, ela sempre pede para se deitar do lado da Helena. Pedir, é claro, é só uma maneira de dizer :-) Ela simplesmente me empurra, me empurra, me empurra, até eu me afastar um pouco para que ela consiga ficar do lado da Helena.

Nota: Nós fazemos uma espécie de cama partilhada, então até que o aperto de 4 na cama não é tão grande. A Helena fica na caminha dela (como se chama, aliás, este tipo de cama em português? Coloquei a foto ali em cima, para facilitar), bem ao meu alcance, papai e mamãe na cama de casal e Sophia só costuma vir de manhã

Enfim, Sophia, como sempre, consegue ficar do lado da Helena. Eu digo, pela simples obrigação de dizer: Sophia não acorda a Helena, meu amor. 
Resposta: Não vou acordar mamãe.

Aí começa:
carinho na cabecinha,
beijo na mão,
dedo na bochecha,
risadinha,
apertão na orelha,
mais beijo,
beijo de esquimó,
lambida,
mais carinho,
suspiros de: ah como ela é fofa, né mamãe.

"De repente", do nada, diriam alguns, a Helena abre o olho.
Sophia imediatamente se senta e exclama:

Ela acordou, mamãe! Sozinha! Eu fiquei bem quietinha, você viu??

Então tá, né.

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E para finalizar queria dar os parabéns a todos os papais pelo seu dia, em especial a dois: ao meu pai e ao meu marido!