quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Minha fruta preferida é mirtilo!

Pois é. Você sabe o que é isso? Provavelmente não. Nem você, nem a torcida do flamengo.
E se eu te disser que acho o texugo um bichinho bonitinho, que gostamos muito de catar bolotas nas tardes de outono, ou folhas de ácer já que as árvores estão ficando caducas, e que já estamos planejando a nossa coroa de advento para o Natal, você provavelmente não sabe de verdade sobre o que estou falando...

Mas este é o tipo de vocabulário que estou tendo que ensinar (e aprender!) para a minha filha. Pois caso contrário, a conversa teria que sair assim: Sophia, você quer Heidelbeere? Você gosta mais de Dachs ou de esquilos? Vamos catar Eichel e folhas de Ahorn hoje à tarde? Como vai ser o nosso Adventskranz este ano?

E esta é a realidade das mães que moram fora do Brasil mas que desejam muito, muito, muito que os filhos falem português.
Não sei vocês, mas eu fico num dilema: devo falar e ensinar este monte de palavras que brasileiro quase nenhum entende? Ou devo ficar misturando idiomas no meio da frase? Sempre aprendi nas minhas aulas sobre bilinguismo que os pais devem ser consequentes: um pai, uma língua. Mas e num caso assim?

Estava conversando sobre isso com uma amiga, no domingo, e ela me disse que até abaixou um dicionário no celular, para não fazer feio. Mas, para mim, um idioma é mais do que apenas a parte lexical. Tem todo o aspecto cultural também. E sinto que estou deixando a desejar neste quesito...

Alguma luz?

10 comentários:

Camilla Brandel disse...

Xiii, não tenho luz nenhuma pra te dar, só sombras, hehehe. Eu até agora tenho oferecido blueberry pro Nathan, não mirtilo. Mas sei lá, de repente tenho que me unir a você e começar a usar essas palavras estranhas, hehehe.
Ou talvez eu simplifique e, aquelas que eu sei o nome em português, eu use. As que não sei, vai o nome em inglês mesmo e pronto.
Ah, mas texugo é um bicho normal. :) Ou não?

Alessandra disse...

Acho que talvez seja legal ensinar em português sim, mas alertar que tem gente que nunca viu um mirtilo e que talvez ela tenha que explicar que é uma frutinha assim e assada... Acho que agora com praticamente 4 aninhos ela consiga começar a entender diferenças e costumes. Talvez por ela ser bilingue, ela não tenha se dado conta ainda da existência de diferentes línguas, mas aqui em casa a gente às vezes fala em inglês e a Glorinha já sabe que há muitas outras línguas. A gente sempre personaliza, explica que é um outro jeito de falar , lá de onde o tio Lê ou a tia Rita moram, que no país da tia Karen fala- se diferente também e as pessoas fazem coisas diferentes, que no Natal tem neve, que as crianças usam capacete para andar de bicicleta (se ben que ela usa também). E até diferenças aqui mesmo, entre as famílias que conhecemos, tipo como cada família comemora aniversário ou Natal. A gente só comenta que é diferente, sem fazer pré julgamento, ou às vezes falando "lá as crianças dormem bem tarde, aqui em casa bem cedo". E às vezes ela comenta essas coisas ou com as amigas, ou até com a gente, explicando alguma coisa que viu de diferente.

Imagino que você possa achar estranho ela ter que explicar coisas sendo tão novinha, mas a Glorinha fazia isso muito com a Santina, a nossa ex-empregada, contando o que tinha visto ou feito na escolinha e agora com a Alice faz mais ainda. É muito fofinho ver ela explicar o mundo para a irmã, o engraçado é que ela sempre fala (ou tenta) no "idioma" da irmãzinha e às vezea a explicação sai uma complicação só!
Aí eu digo "explica com outras palavras, Glorinha" e a história vai aumentando :-)

No próximo Natal, a Sophia já vai ter para quem explicar as coisas e talvez fique mais fácil. Mas vale o exercício das diferenças desde já. Tipo mostrando fotos da sua infância, explicando o que era diferente. A Glorinha acha divertido ficar me perguntando o que existia ou não na minhaa infância, desde que eu contei que não tinha computador, CD, internet... Aí ela pergunta "mãe, tinha tv?" ou "mãe, tinha bolo?"

Flavia disse...

Karen,

falo em português com o João, sempre, sem-pre!
Evito o máximo misturar as linguas, e adoro quando tem uma palavrinha nova que ele não conhece e se interessa em saber o que é.

Claro que com isso, o desenvolvimento da fala é mais lento. Agora que ele esta tendo aulas de inglês mais ainda... Mas tenho certeza que mais cedo ou mais tarde ele vai encontrar um espacinho na cabeça pra cada lingua e saber dividir tudo isso.

beijos

Celi disse...

Karen realmente ficamos com mil questões. Aqui o marido sempre fala em alemão com os meninos e eu só falo português.
Dizem e aconselham que é melhor manter um único idioma como referência. Que para as crianças torna-se mais fácil todo o processo de compreensão e distinção. Mas vai saber! Que difícil Karen!
Espero que encontre um bom caminho...
Quanto a sua pergunta, faz 2 anos e meio que estou na Alemanha. Moro bem próximo a Regensburg. Bom, vamos nos falando... Volto!
Beijos

Kathe disse...

Bom, na minha opinião vc deve continuar a falar em português com a Sophia, e Helena também, mas árvore caduca não é de Portugal? Aqui, que eu me lembre só falamos que as folhas estão caindo, ou estou enganada?
bjs.

Anne disse...

Engraçado ver a Celi nod comentários, ela escreve assim, do jeito que você falou, misturadinho em Português e Alemão.
Acho charmoso, sabia?
Faz parte do pacote de mãe internacional, eles vão aprender tudo, de qualquer jeito!
beijos

Karen disse...

Ai, obrigada pelos conselhos :-) Me fazem sentir normal e entendida rsrsrsrsrs.
Ale, acho que a Sophia até sabe sim sobre diferentes idiomas. Ela mesma sabe que fala português e alemao e sabe que na escolinha dela tem criancas que falam outras línguas ainda. Mas nao gosto de ficar misturando idiomas, mas as vezes é tao difícil! E ter que ficar "inventando" traducoes pras coisas também é horrível. Agora, perto do Natal, entao, chovem coisas culturais para eu ter que adaptar à realidade brasileira... E fico pensando no tudo que ela perde daí, sabe? Tipo, ela ganhou presente de dia das criancas da minha irma e nem sabia que tinha um dia das criancas! É claro que ela amou ganhar o presente, mas senti que ela nao sabia de verdade o que isso significava. OU o que significaria pra uma crianca genuinamente brasileira.
Lica, sei lá, agora acho texugo normal, mas antes nao achava nao :-)

Juliana disse...

Oi Karen, conheci seu blog hoje, adorei e te entendo perfeitamente. Moramos na Suíça (Na parte francesa) e semana passada fui estudar matemática com meu filho... quando eu perguntava em português ele não entendia, então, perguntei em francês e ele entendeu na hora. Acho que é normal, pois eles escutam muito na escola e falam com os amigos. Mas também não quero que percam (tenho dois) a nossa língua materna.
Eu também fico meio perdida e não tenho a resposta, mas conte comigo para um ombro. Estou aqui pertinho de vc, rsrsrs. Um abraço, Juliana
www.contosdeumamaepandora.blogspot.com

Alessandra disse...

Eu tinha (ainda tenho) um texugo de pelúcia!

Mas realmente entendo que deva ser delicada a sua situação. Uma vez você me contou que ficava sempre dividida entre as coisas boas do dois países e imagino que às vezes dá a impressão que se perde dos dois lados. Acho que é verdade, mas também ganha-se dos dois lados!

Karen disse...

Oi Juliana! Bem-vinda ao blog :-) Acredita que em 12 anos de Alemanha ainda não fui à Suíça?Mas está definitivamente nos meus planos! Qual a idade do seu filho?
Beijo!