Numa bela noite, na semana retrasada, estava viajando para a casa da sogra para passar a Páscoa. A viagem dura mais ou menos 5 horas e costumamos ir no final da tarde/início da noite, para que as crianças brinquem um pouquinho no carro e acabem dormindo. Neste dia não foi diferente. Saímos de casa lá pelas 18:30, as crianças já tinham jantado e já tinha planejado que iria amamentar a Helena quando parássemos, para que ela então dormisse o resto da viagem.
Chegamos num posto, Helena já estava meio irritadinha havia uns 10 minutos, eu a pego no colo (ela logo se anima quando sabe que vai mamar, uma gracinha!), me preparo e... nada. Ela não pega o peito! Ela olha, ri, sorri, se vira, chama a Sophia, o pai e o frentista, pede ajuda aos universitários, mas não mama. Mas como assim não mama? Ela nunca recusa uma mamada. Sabe aquelas coisas altamente previsíveis, como depois da noite vem a manhã? Ou vai sair com O cara e acorda com uma espinha enorme na ponta do nariz? Ou novela da Globo sempre acaba com final feliz? Então, a Helena sempre mama. Sempre. Ela pode ter acabado de mamar, mas se eu ofereço novamente ela sempre aceita mais um gole :-)
Mas não naquela noite. Eu realmente estava lá no posto de gasolina de beira de estrada (ainda que com glamour, né, moramos na Alemanha, rsrsrsr), de peito de fora e ela nem tchum. Quando insisti com mais vigor, ela começou até a chorar.
Então tá, né? Se ela não quer não podia fazer nada. Ela voltou pra cadeirinha, o peito pro sutiã eu fiquei me sentindo rejeitada e seguimos viagem. Quando chegamos, tarde da noite, na casa da sogra, a cena se repetiu. Fui colocar a Helena pra dormir e ela não mamou. Só que desta vez não riu nem sorriu; chorou e não quis mamar. E como fazer para acalmar uma filha que sempre foi acalmada no peito? Marido e eu nos revesávamos tentando confortá-la, mas nada dava certo. Ficamos uns 10 minutos cantando, passeando, sussurrando, fazendo "shhhhhhh", até apelamos para o seu velho amigo (!), mas nada. Então, já achando que a Helena nunca mais pararia de chorar, tentei o peito de novo, ela aceitou e salvou a nossa noite.
Confesso que nas mamadas desta madrugada fiquei morrendo de medo da cena se repetir. Mas pra nossa sorte, isso não aconteceu. Ela mamou bem em todas as vezes e achei que tivesse sido só um protesto por causa da viagem longa.
---Pausa---
Vale dizer que a Helena estava numa fase "esquisita" há uns dias. Ela estava em ritmo de recém nascido outra vez (durante o dia comia bem, brincava, dormia tudo como dantes, mas à noite acordava querendo mamar de duas em duas horas).
---Despausa---
No entanto, a hora de dormir do dia seguinte nos trouxe novamente os sorrisos, risos, os universitários e a rejeição ao peito. Só que desta vez marido tinha tido uma ideia antes: antes do choro chegar corremos buscar um leite (de vaca!) e demos a ela. Ela bebeu como se nunca tivesse feito outra coisa na vida antes de dormir e, principalmente, como se não tivesse passado mais de uma semana inteira rejeitando terminantemente tudo que não fosse o peito, só para eu não poder sair no meu aniversário. Dá para entender uma filha ingrata dessas, leitores???
Nesta noite ela ainda acordou umas duas vezes e quis mamar no peito, como sempre. Mas este foi o início do fim das mamadas noturnas. Helena mama agora de manhã, quando acorda, e à tarde, quando tem vontade.
À noite ela tem tomado o seu leitinho logo após o jantar, com o papai - que teve o grande mérito de desassociar o mamar ao adormecer. Ou seja, mamães que querem sossego à noite devem tentar parar de unir o útil ao agradável. Mais pra frente os bebês vão continuar achando agradável mamar a noite toda, mas você não. O peito vai continuar sendo útil, ele vai continuar acalmando (ou não, neste caso), mas cadê o agradável de acordar de duas em duas horas durante um ano e meio (que era o meu caso ultimamente)?
Ficamos muito felizes que a própria Helena nos deu um "sinal" de que poderiamos parar a mamada noturna (ela já está com 14 meses) e, com muita calma (do papai, repito!) a Helena começou a dormir sem mamar. Seguimos o ritual de banho, secador de cabelo (ah, old habits die hard!), pouca luz, voz baixa, chupeta e móbile musical antes de deitá-la no bercinho, uma meia hora depois de ter mamado (e quem quiser saber mais sobre sono de bebê deveria ver o site da Paloma, com as dicas do pediatra Dr. José Martins Filho) . Ela agora já dormiu a noite toda algumas vezes, mas só quando o papai a coloca para dormir (tá bom de elogio, amor? Rsrsrs). Uma nova era começou!
E todos dormiram felizes para sempre.
Será?